A adoção das normas IFRS S1 e IFRS S2 marca uma mudança estrutural no reporte corporativo no Brasil, ao integrar definitivamente a sustentabilidade, gestão de riscos e decisões financeiras. Segundo Elias Neto, CEO da Ecovalor, as normas reposicionam o ESG como fator diretamente ligado à geração de valor e à estratégia de negócios. “Sustentabilidade deixa de ser acessória e passa a influenciar desempenho financeiro, alocação de capital e tomada de decisão”, afirma.
Os relatórios de sustentabilidade passam a ter caráter financeiro, exigindo a identificação e divulgação de riscos e oportunidades socioambientais com impacto material sobre fluxo de caixa, posição financeira e viabilidade do negócio no curto, médio e longo prazo. O foco deixa de ser narrativo e se volta à relevância financeira para investidores e credores.
Um dos principais desafios é o alinhamento das IFRS S1 e S2 com frameworks já utilizados, como GRI, SASB e TCFD, especialmente pela diferença de abordagem sobre materialidade. Enquanto o GRI prioriza impactos socioambientais, as IFRS adotam a materialidade financeira, exigindo maior rigor na priorização das informações divulgadas.
As normas também elevam o nível de integração entre sustentabilidade, estratégia corporativa e demonstrações financeiras. Fatores como mudanças climáticas, uso de recursos naturais, cadeia de valor e governança passam a influenciar projeções financeiras, análises de risco e decisões de investimento. Setores mais expostos a riscos climáticos e regulatórios, como energia, mineração, agronegócio, infraestrutura e serviços financeiros, tendem a sentir os efeitos com maior intensidade.
Outro avanço é o fortalecimento da credibilidade das informações e a redução do risco de greenwashing. A exigência de conexão entre discurso de sustentabilidade e impactos financeiros mensuráveis amplia a expectativa de auditoria, reforça controles internos e aumenta a confiança do mercado.
Para atender às novas exigências, as empresas precisam investir em governança, sistemas e processos capazes de assegurar a mesma confiabilidade exigida das informações financeiras. “Sustentabilidade passa a fazer parte do núcleo do planejamento financeiro e da gestão de riscos”, conclui Elias Neto.
Carregando comentários...