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A Vida Sexual na Pós-Menopausa: O Fim ou Um Novo Começo?

Drª Fernanda Grossi, médica ginecologista

Laudir Dutra - Redação Publicado em 29 de maio de 2026 às 22:12
   A Vida Sexual na Pós-Menopausa: O Fim ou Um Novo Começo?
Fonte: Drª Fernanda Grossi, médica ginecologista Foto: Divulgação
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A chegada da menopausa é um marco inevitável, acompanhado por mudanças físicas, emocionais e sociais. Com o aumento da longevidade, muitas mulheres viverão 30 anos ou mais após essa transição, ou seja, a menopausa se torna o início de uma longa etapa que merece saúde, autonomia e qualidade. Felizmente, nunca se falou tanto em menopausa.

O assunto ganhou espaço nas redes sociais, nos consultórios, nas conversas entre amigas e até no mercado de saúde e bem-estar. Ondas de calor, alterações no sono, no humor, na memória e na composição corporal causadas pela queda do estrogênio são temas amplamente abordados. No entanto, a sexualidade, igualmente afetada, nem sempre ganha o mesmo destaque.

Estima-se que aproximadamente metade das mulheres na pós-menopausa vivencie algum desconforto sexual, podendo haver diminuição do desejo, incômodo nas relações, menor lubrificação, dificuldade quanto à excitação ou a percepção de que o encontro íntimo já não acontece como antes.

A sexualidade feminina vai além das mudanças biológicas que acompanham o envelhecimento, sendo influenciada por valores sociais, história de vida, fatores emocionais, autoimagem, qualidade do relacionamento e a dinâmica das parcerias. Isso ajuda a determinar como a intimidade será experienciada nessa fase da vida.

É importante ressaltar que não existem soluções mágicas. Hormônios, cremes, tecnologias, suplementos ou promessa de “recuperar a juventude e a vida sexual” não substituem uma avaliação cuidadosa e individualizada. Cada mulher tem uma história, um corpo, um relacionamento e uma expectativa. A ideia de que as modificações corporais determinam o fim da vida sexual deve ser combatida com informação, livre de tabus e preconceitos.

A vida sexual não acaba na menopausa, mas pode mudar de ritmo, frequência e significado, tornando-se mais livre, afetiva e consciente. Para isso, é preciso informação de qualidade, escuta sem julgamento e coragem para falar sobre o que costuma ser silenciado. Cuidar da sexualidade nessa fase é cuidar da saúde, da autoestima e da possibilidade de viver melhor os anos que virão.

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