O dia 20 de fevereiro marca o Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, uma data que nos convoca a analisar dados que muitas vezes ignoramos por conveniência social. Como especialista, observo que existe uma distorção significativa entre a percepção pública e a realidade do risco associado ao álcool.
Os dados do LENAD III (Levantamento Nacional de Álcool e Drogas), coordenado pela Unifesp, revelam um cenário epidemiológico crítico: 42,5% da população brasileira com 14 anos ou mais (cerca de 74 milhões de pessoas) consome bebidas alcoólicas, sendo que, aproximadamente, 657 mil adolescentes fecham critérios para o Transtorno por Uso do Álcool. A infeliz realidade é que esses jovens nem deveriam estar consumindo essa substância.
A OMS é enfática: não existe uma dose de álcool que não ofereça riscos à saúde. Além disso, um corpo robusto de estudos científicos relacionam a substância a mais de 200 doenças que agem silenciosamente no sistema nervoso central e em órgãos vitais. É nesse contexto que o álcool se torna a droga mais perigosa. Sua normalização mascara os danos neurobiológicos, retarda o diagnóstico da dependência e afasta os indivíduos de buscar ajuda.
A fronteira entre o brinde social e a doença não se mede em doses, mas no silêncio da autonomia perdida e nas ruínas da funcionalidade cotidiana. É urgente despedaçar o estigma que mascara esse abismo: o enfrentamento real exige que deixemos de tratar o álcool como um convidado inofensivo para confrontá-lo como a crise crítica de saúde pública que ele verdadeiramente representa.
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