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Nova Rheingantz lança projeto de turismo focado na memória

Iniciativa convida a comunidade a redescobrir a história da antiga fábrica têxtil; ex-operárias e ex-operários têm entrada gratuita mediante compartilhamento de relatos

Laudir Dutra - Redação Publicado em 06 de fevereiro de 2026 às 22:41
Fonte: Reverso Comunicação Foto: Divulgação
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A história do desenvolvimento industrial do sul do Rio Grande do Sul ganha um novo capítulo de valorização. A Nova Rheingantz, em Rio Grande, anunciou neste mês o lançamento do projeto "Patrimônio Industrial e Memória Operária Nova Rheingantz", uma iniciativa voltada a visitas mediadas que busca reconectar a comunidade com o legado arquitetônico e social da antiga fábrica Rheingantz. O complexo, que está em fase de revitalização para receber novas atividades voltadas à educação, economia criativa e inovação, é tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Estado.
Nova Rheingantz lança projeto de turismo focado na memória
No formato de visita mediada, o projeto propõe uma imersão na identidade local. O roteiro conduz os visitantes pelos espaços que um dia abrigaram centenas de teares e milhares de trabalhadoras e trabalhadores, abordando desde o processo de industrialização até o cotidiano dentro da fábrica. O objetivo é transformar o patrimônio edificado em um cenário vivo de educação patrimonial e turismo cultural.

Ricardo Henriques, Executivo de Relações Institucionais da Nova Rheingantz, explica que a iniciativa faz parte da missão do novo projeto. “O futuro desse espaço tão simbólico socialmente e historicamente passa pela sua história, e nós queremos que tudo isso impulsione a conexão da comunidade com o território e que também seja um motor para atrair mais turismo à nossa cidade”, afirma.

As visitas são mediadas e incluem um passeio interno para conhecer sobre os antigos processos de produção fabril, incluindo maquinários que ainda estão no local, além de documentos e fotografias antigas. A responsável pelas visitas é a riograndina Vanessa Avila Costa, Arqueóloga industrial, Educadora patrimonial e com pesquisas dedicadas à Fábrica Rheingantz ao longo da sua carreira.

“As visitas mediadas à antiga Fábrica Rheingantz são fundamentais não apenas para apresentar à comunidade o espaço físico, os maquinários e os artigos têxteis, bem como sua importância histórica, mas, sobretudo, para valorizar as memórias, os saberes e as experiências das ex-operárias e dos ex-operários que teceram, com seu trabalho cotidiano, a história da indústria. Ao ouvir essas narrativas e reconhecer essas pessoas como protagonistas, buscamos promover uma educação patrimonial sensível e socialmente engajada, que conecta passado e presente e fortalece o sentimento de pertencimento ao patrimônio industrial e à identidade operária”, destaca Vanessa.

Memória que vale ingresso 

Um dos pontos altos do projeto é o reconhecimento daqueles que construíram essa história, garantindo a gratuidade para ex-operárias e ex-operários da fábrica nas visitas guiadas. Para acessar o benefício basta comprovar o vínculo com a fábrica, seja através de documentos, registros, fotografias ou compartilhamento de relatos e memórias do trabalho durante a visita.

A visitação também é voltada principalmente para grupos escolares, que podem aprender fora da sala ainda mais sobre a história local. Os valores dos ingressos para escolas é de R$ 15,00, enquanto para o público em geral morador da cidade o valor é de R$ 25,00. O valor para turistas é de R$ 30,00.

Agenda de fevereiro

As primeiras visitas acontecem já neste mês, no sábado (07/02), às 14h, e na quinta-feira (12/02), às 15h. Além do roteiro interno, os visitantes podem optar por uma extensão do passeio até a Vila Operária, com valor adicional de R$ 5,00 por pessoa, compreendendo a relação urbanística entre a fábrica e a moradia de trabalhadores e trabalhadores.

Os agendamentos e informações complementares podem ser feitos pelo WhatsApp +53 98412 6116 ou no e-mail visitacao@novarheingantz.com.br


Sobre a Nova Rheingantz
A Fábrica Rheingantz foi um dos maiores complexos da indústria têxtil da América Latina, tendo sido inaugurada em 1873. Mais de 2 mil funcionários chegaram a trabalhar simultaneamente no local. Na década de 80, as operações foram finalizadas devido à falência da empresa proprietária à época. Parte do complexo foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae) em 2012, quando houve o leilão em que a Innovar Incorporações arrematou o imóvel por R$ 14,9 milhões. As obras de revitalização da parte tombada estão focadas em manter a estrutura e elementos originais, preservando a história do local. A área total do terreno conta com 14,6 hectares. O objetivo é construir um novo espaço urbano com o DNA das suas origens e projetos voltados a um ecossistema de empreendedorismo, inovação, cultura e bem-estar abertos à população.

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