Jornal Ponto Inicial

Pós-operatório | O que fazer e quando procurar o médico

Recuperação envolve cuidados diários, acompanhamento profissional e atenção a sintomas que podem indicar complicações

Laudir Dutra - Redação Publicado em 18 de agosto de 2026 às 22:21
Pós-operatório | O que fazer e quando procurar o médico
Fonte: Gabriela Paiva - Conversion Foto: Créditos: istock/SDI Productions
Publicidade
A recuperação depois de uma cirurgia não termina com a alta hospitalar. Os cuidados pós-cirúrgicos fazem parte do processo de recuperação e envolvem acompanhamento médico, administração correta dos medicamentos prescritos, atenção à ferida operatória e retomada gradual das atividades.

Segundo o médico Eden Edimur Rossi Junior, cirurgião do aparelho digestivo, em entrevista ao blog Surgery Care, "o acompanhamento permite avaliar a evolução do paciente e identificar possíveis complicações. As consultas também podem indicar mudanças no tratamento conforme a recuperação avança".

Por que os cuidados pós-cirúrgicos são tão importantes

De acordo com o Manual MSD, uma das principais e mais respeitadas fontes de referência médica do mundo, entre as preocupações estão o controle da dor, a cicatrização da ferida, o equilíbrio de líquidos, a prevenção de complicações e o acompanhamento do estado geral do paciente.

Na prática, isso significa que o cuidado não deve se limitar ao local da cirurgia. Alimentação, hidratação, repouso, movimentação e uso correto dos medicamentos também fazem parte da recuperação, sempre de acordo com o tipo de procedimento realizado.

A administração dos medicamentos merece atenção. Rossi Junior destaca que o paciente deve respeitar os horários e as orientações fornecidas pela equipe de saúde, incluindo analgésicos e outros medicamentos prescritos.

A limpeza, os curativos e os demais cuidados devem seguir as instruções recebidas após a cirurgia. A higiene adequada da ferida contribui para a cicatrização e ajuda a reduzir riscos de complicações.

O repouso, por sua vez, não significa necessariamente permanecer imóvel durante todo o período de recuperação. "O nível de atividade permitido depende da cirurgia e das condições individuais. Em alguns casos, a movimentação orientada pela equipe pode fazer parte da recuperação", indica o médico cirurgião.

Controle da dor: do simples ao mais intenso

A dor é uma das questões mais comuns durante o período pós-operatório, mas sua intensidade e duração variam conforme a cirurgia. O objetivo do controle da dor é proporcionar condições para que o paciente se recupere sem ignorar sintomas que possam indicar alguma complicação.

Em procedimentos com menor intensidade de dor, o médico pode optar por medicamentos analgésicos de acordo com as características do paciente. Já em situações de maior intensidade, outras classes de medicamentos podem ser consideradas pela equipe responsável.

Em casos de dor mais intensa, o médico pode optar por medicamentos de classe opioide, como o tramadol, sempre avaliando o quadro individual do paciente.

O analgésico é usado para aliviar dores moderadas a intensas, como as de pós-operatórios, traumas e dores crônicas. Ele age no sistema nervoso bloqueando os sinais de dor e aumentando a serotonina e a noradrenalina. Mas seu uso deve ocorrer somente quando houver indicação profissional, com acompanhamento médico e respeito rigoroso à prescrição.

A escolha de um medicamento para controlar a dor não depende apenas da intensidade do sintoma. Histórico de saúde, outros medicamentos utilizados, tipo de cirurgia e possibilidade de efeitos adversos também podem influenciar a decisão clínica.

Sinais de alerta e quando procurar o médico

Parte da segurança no pós-operatório está em reconhecer alterações que podem indicar a necessidade de avaliação profissional. Nem toda mudança durante a recuperação significa uma complicação, mas alguns sintomas não devem ser ignorados.

Entre os sinais que merecem atenção estão:

  • Dor intensa ou que piora progressivamente;
  • Febre;
  • Sangramento inesperado;
  • Aumento significativo do inchaço;
  • Vermelhidão ou calor na região operada;
  • Secreção ou pus na ferida;
  • Alterações importantes no estado geral.

Também é importante observar sintomas que não estão diretamente relacionados à ferida. Dificuldade para respirar, alterações importantes de consciência ou outros sintomas súbitos exigem avaliação médica imediata.

Além dos aspectos físicos, a recuperação pode afetar o estado emocional. Ansiedade, medo e alterações de humor podem aparecer durante um período marcado por limitações temporárias, mudanças na rotina e preocupação com a evolução do quadro.

Conversar com familiares, amigos e profissionais de saúde pode ajudar o paciente a lidar com essas mudanças. Quando houver sofrimento emocional persistente, também é indicado buscar orientação profissional.

O acompanhamento médico deve continuar durante todo o período determinado pela equipe responsável. As consultas permitem verificar a cicatrização, avaliar a resposta ao tratamento e decidir quando atividades e medicamentos podem ser modificados.

Os cuidados pós-cirúrgicos dependem da cirurgia realizada e das características de cada paciente. Por isso, seguir rigorosamente as orientações recebidas e procurar um médico diante de sinais de alerta são medidas que ajudam a tornar a recuperação mais segura.

O que achou desta notícia?

Sua opinião é fundamental para nosso jornalismo.

Leia Também

Comentários

Carregando comentários...

Publicidade Publicidade