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Sexta-Feira, 11 De Setembro De 2026
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As 558 amostras da Safra 2026 passaram pelo crivo de 109 enólogos
Degustação de Seleção mobilizou profissionais durante 20 horas de avaliações às cegas em quatro dias; resultado permanece sob sigilo e somente será revelado no dia 17 de outubro, diante de 800 apreciadores de todo o Brasil
Laudir Dutra - RedaçãoPublicado em 10 de setembro de 2026 às 21:39
Quatro dias – 1º a 4 de setembro -, oito turnos e 5.121 taças servidas em um trabalho técnico conduzido sob absoluto sigilo. A Degustação de Seleção da 34ª Avaliação Nacional de Vinhos – Safra 2026 chegou ao fim depois de submeter cada uma das 569 amostras à avaliação às cegas de 109 enólogos (19 mulheres). Divididos em três júris por turno, os profissionais tiveram diante de si apenas o vinho, sem qualquer informação sobre marca ou vinícola, em um processo que agora permite à Associação Brasileira de Enologia (ABE) chegar aos 30% representativos de cada categoria. O resultado, porém, permanece guardado até 17 de outubro, quando será revelado no grande momento do vinho brasileiro.
A dinâmica se repetiu nos turnos da manhã e da tarde. A cada período, três júris com nove enólogos cada receberam diferentes séries de amostras. Os 109 profissionais participaram formando uma força-tarefa que reuniu diferentes gerações e trajetórias da enologia brasileira. Um encontro que ganha significado especial em 2026, ano em que a ABE celebra 50 anos de atuação junto aos enólogos e à vitivinicultura brasileira. Cada amostra foi servida para nove avaliadores, o que explica as 5.022 taças que passaram pelas mesas ao longo dos quatro dias.
Sem rótulo e sem qualquer referência que pudesse revelar sua procedência, cada vinho foi analisado exclusivamente pelo que apresentou na taça. É a partir das notas atribuídas pelos degustadores que serão definidos os 30% representativos de cada categoria da Safra 2026. Até a revelação oficial, notas, resultados e identidades permanecem sob sigilo da ABE.
Para o presidente da ABE, enólogo Mário Lucas Ieggli, o rigor empregado nesta etapa é fundamental para a credibilidade construída pela Avaliação Nacional de Vinhos ao longo de sua história. “Existe um cuidado muito grande para que cada amostra seja avaliada nas mesmas condições e para que o enólogo tenha diante de si somente o vinho, sem qualquer outra referência. Celebrar os 50 anos da ABE reunindo 109 enólogos em torno da avaliação da nossa safra também diz muito sobre a razão de existir da entidade. São diferentes gerações compartilhando conhecimento e assumindo a responsabilidade de olhar tecnicamente para o vinho brasileiro. É esse trabalho coletivo que dá consistência ao resultado que vamos apresentar em outubro”, destaca.
O resultado fica para 17 de outubro
A conclusão da Degustação de Seleção encaminha a Avaliação Nacional de Vinhos para o momento que reúne, em um mesmo espaço, quem produz, quem elabora e quem aprecia o vinho brasileiro. No dia 17 de outubro, 800 pessoas de diferentes regiões do país estarão em Bento Gonçalves para conhecer os 30% representativos da Safra 2026.
Entre esses vinhos, 16 amostras serão selecionadas para a degustação simultânea do público. Cada uma será servida às 800 pessoas e comentada por um convidado, que compartilhará suas percepções sobre o vinho sem conhecer sua identidade. O público também seguirá sem saber qual vinícola está por trás de cada taça.
É somente ao final da Avaliação que o sigilo será rompido e as 16 amostras terão suas identidades reveladas. Até lá, permanece guardada uma informação que começou a ser construída ainda na coleta das amostras e que passou, agora, pelo julgamento técnico dos enólogos: quais vinhos traduzem os 30% representativos de cada categoria da Safra 2026.
Enólogos que participaram da Degustação de Seleção
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