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Câncer de pele segue como o tumor mais frequente do Brasil

Embora seja um dos tumores mais preveníveis, o câncer de pele ainda enfrenta desafios relacionados ao diagnóstico tardio e à desinformação.

Laudir Dutra - Redação Publicado em 16 de junho de 2026 às 21:32
Câncer de pele segue como o tumor mais frequente do Brasil
Fonte: Gabriela Paiva - Conversion Foto: Créditos: istock/kali9
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O câncer de pele no Brasil continua sendo o tipo de tumor mais frequente do país e, ao mesmo tempo, um dos mais preveníveis. Dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) mostram que os diagnósticos saltaram de 4.237 casos em 2014 para 72.728 em 2024, um aumento expressivo ao longo da última década. .

Já o Instituto Nacional de Câncer (INCA) na publicação Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil, divulgada em 4 de fevereiro de 2026, projeta 781 mil novos casos de câncer por ano no país, sendo os tumores de pele não melanoma os mais incidentes em ambos os sexos. 

Apesar da ampla disponibilidade de informações sobre proteção solar, muitos brasileiros ainda subestimam os riscos da exposição excessiva ao sol e demoram a procurar avaliação médica diante de alterações na pele. O resultado é que milhares de casos seguem sendo diagnosticados em estágios mais avançados, quando o tratamento tende a ser mais complexo.

Segundo o professor Bruno Fantini, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP), o aumento dos registros está ligado a diferentes fatores. "O primeiro é a genética. O Sul e o Sudeste, regiões com maior número de casos, concentram uma população com a pele mais clara, que é naturalmente mais sensível e vulnerável ao sol. Em segundo lugar, é nessas regiões que existe um acesso maior e mais rápido aos exames médicos. Sendo assim, acabamos registrando um número maior de casos".

O tumor mais frequente do país e o que isso significa

O câncer de pele não melanoma, tipo mais frequente no país, responde por cerca de 30% de todos os casos de tumores malignos registrados no Brasil, conforme o Ministério da Saúde. O número chama atenção não apenas pela frequência, mas porque grande parte dos casos poderia ser evitada por meio de medidas simples de proteção contra a radiação ultravioleta.

A exposição solar acumulada ao longo da vida é considerada o principal fator de risco para o desenvolvimento da doença. Pessoas de pele clara, olhos claros, histórico familiar de câncer de pele e trabalhadores que passam muitas horas ao ar livre exigem atenção redobrada.

Além da exposição ao sol, especialistas apontam que o envelhecimento da população e o aumento da procura por exames dermatológicos também ajudam a explicar o crescimento dos diagnósticos.

Embora o câncer de pele seja frequentemente associado à praia e ao verão, os dermatologistas ressaltam que os cuidados devem ser mantidos durante todo o ano. A radiação ultravioleta está presente mesmo em dias nublados e continua atuando sobre a pele de forma cumulativa.

Melanoma e não melanoma: por que a diferença importa

O câncer de pele não é uma doença única. Ele se divide em diferentes tipos, sendo os mais comuns os tumores não melanoma e o melanoma.

Os casos não melanoma representam a maioria dos diagnósticos. Geralmente, apresentam crescimento mais lento e possuem altas taxas de cura quando identificados precocemente. Ainda assim, podem causar danos importantes aos tecidos e exigir procedimentos cirúrgicos quando negligenciados.

Já o melanoma é menos frequente, mas costuma ser mais agressivo. Isso acontece porque ele tem maior potencial de disseminação para outros órgãos do corpo, tornando o diagnóstico precoce ainda mais importante.

A diferença entre os dois tipos reforça a necessidade de atenção a qualquer alteração suspeita na pele. Como destaca Bruno Fantini, o tempo é um fator decisivo. "Descobrir cedo é uma palavra-chave. Quando identificamos o câncer de pele bem no comecinho, a chance de cura é altíssima e o tratamento é supersimples. Agora, se a pessoa demora a buscar ajuda, esse tumor cresce e as consequências podem ser graves".

O médico também alerta que informações equivocadas sobre sinais, diagnóstico e tratamento ainda dificultam a identificação precoce da doença.

O que observar na pele e quando buscar ajuda

Muitas vezes, o primeiro sinal de alerta surge durante atividades rotineiras, como tomar banho ou se olhar no espelho. Mudanças no aspecto da pele podem indicar a necessidade de avaliação especializada.

Sinais como pintas que mudam de cor, tamanho ou formato, manchas com bordas irregulares, feridas que não cicatrizam, lesões que sangram sem motivo aparente e áreas da pele que apresentam crescimento progressivo merecem atenção.

Identificar lesões suspeitas exige um olhar treinado, e é justamente para isso que serve a residência em dermatologia, formação que capacita o médico a distinguir uma mancha benigna de uma lesão que precisa de biópsia.

Qualquer alteração persistente deve ser avaliada por um dermatologista. A consulta permite analisar características que nem sempre são perceptíveis para o paciente e, quando necessário, solicitar exames complementares.

Além da observação da própria pele, a prevenção continua sendo a principal estratégia de enfrentamento da doença. O uso diário de protetor solar, a busca por sombra nos horários de maior incidência solar e o uso de roupas e acessórios de proteção ajudam a reduzir significativamente os riscos.

O crescimento dos casos de câncer de pele no Brasil mostra que a conscientização ainda precisa avançar. Ao mesmo tempo, médicos destacam que a doença apresenta altas chances de cura quando identificada precocemente.

Por isso, observar mudanças na pele, manter os cuidados com a exposição solar e procurar avaliação médica diante de qualquer suspeita continuam sendo atitudes que fazem diferença no diagnóstico e no tratamento.

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