O câncer deixou de ser uma doença exclusiva da população idosa, mas continua sendo mais frequente entre pessoas acima dos 60 anos. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), mais de 60% dos casos são diagnosticados em quem está nessa faixa etária e cerca de 75% das mortes por câncer acontecem entre idosos. A tendência é que os números continuem crescendo até os 90 anos, acompanhando o envelhecimento da população brasileira.
O chefe do Serviço de Oncologia do Hospital Moinhos de Vento, Sérgio Roithmann, explica que essa maior incidência está relacionada não apenas ao envelhecimento celular, mas também à exposição cumulativa a fatores de risco ao longo da vida e às condições crônicas que dificultam a identificação precoce. Estudos apontam que os diagnósticos tardios são mais frequentes na população idosa, impactando diretamente na sobrevida.
“O cuidado com pacientes idosos com câncer é mais complexo e desafiador. Muitos têm menor acesso a exames preventivos, apresentam outras doenças associadas ou fazem uso de múltiplas medicações. Além disso, ainda existe preconceito em relação ao tratamento de pessoas acima dos 60 anos. Estudos mostram que muitos recebem menos tratamento do que poderiam, o que impacta negativamente os resultados”, ressalta o especialista.
No entanto, os avanços tecnológicos têm mudado esse cenário. Hoje, cirurgias menos invasivas e drogas menos tóxicas permitem que muitos pacientes sejam tratados e até curados. “O envelhecimento não é uma barreira para enfrentar o câncer. O diagnóstico precoce é decisivo para que o paciente idoso tenha acesso a terapias eficazes e menos agressivas”, destaca.
Tipos mais frequentes de câncer em idosos
O Dr. Roithmann alerta que, praticamente, todos os tipos de câncer são mais frequentes em idosos. Os mais comuns são o câncer de próstata nos homens e o de mama nas mulheres. Em ambos os sexos, destacam-se ainda o câncer de pulmão e o colorretal. A incidência varia conforme a região: no Norte e Nordeste, por exemplo, o câncer de colo de útero ainda aparece com frequência em idosas, devido às dificuldades de acesso ao sistema de saúde.
“Outros tipos também merecem atenção, como o câncer de estômago, que vem aumentando em algumas partes do mundo, e o câncer de esôfago, especialmente relevante no Rio Grande do Sul”, pontua o oncologista.
Atuação integrada
No Centro de Oncologia Lydia Wong Ling, do Hospital Moinhos de Vento, referência nacional na área, o atendimento aos pacientes idosos com câncer é realizado de forma integrada. Clínicos, cirurgiões, oncologistas e radio-oncologistas trabalham em conjunto para definir as melhores estratégias de cuidado. Além da atuação multidisciplinar, o hospital conta com o programa de Navegação, que acompanha de perto os pacientes mais frágeis. Isso garante maior segurança para a prescrição de tratamentos complexos e contribui para resultados mais eficazes.
“O mais importante é adaptar o cuidado às condições de cada pessoa e escutar o paciente em suas próprias escolhas. A idade, isoladamente, nunca deve ser critério para deixar de fazer tratamentos”, afirma o Dr. Roithmann.
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