Em tempos de transformações no mercado de trabalho e de busca por novas formas de geração de renda, o cooperativismo tem ganhado espaço como uma alternativa capaz de unir oportunidades econômicas e desenvolvimento social. Celebrado em 4 de julho, o Dia Internacional do Cooperativismo chama atenção para um modelo baseado na colaboração, na divisão de responsabilidades e na construção coletiva de resultados.
Segundo o docente do curso de Contabilidade da Estácio, Joaquim Barbosa Pereira, muitas vezes o empreendedorismo individual esbarra na falta de capital, conhecimento técnico, planejamento ou estrutura. Por isso, a união entre profissionais pode tornar projetos mais viáveis. “O cooperativismo passa a ser uma alternativa compartilhada de empreender”, afirma. Trabalhadores de um mesmo segmento ou pessoas com competências complementares conseguem dividir investimentos, responsabilidades e esforços em busca de objetivos comuns.
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Na avaliação de Pereira, uma das principais vantagens econômicas das cooperativas está justamente na possibilidade de compartilhar estruturas operacionais e administrativas. Essa organização contribui para a redução de custos e amplia a capacidade de produção ou de prestação de serviços, fatores que aumentam a competitividade dos cooperados. Dependendo da atividade exercida, também podem existir benefícios tributários relacionados aos chamados atos cooperados.
Em períodos de instabilidade econômica, o modelo cooperativista tende a demonstrar ainda mais sua relevância. Pereira explica que a atuação coletiva permite enfrentar desafios de mercado de forma mais estruturada do que em iniciativas individuais. “Há uma capacidade muito maior de cooperação e de enfrentar dificuldades por um grupo cooperado do que por um indivíduo isolado”, destaca.
Os reflexos positivos, entretanto, vão além da esfera financeira. As cooperativas costumam reunir pessoas com interesses semelhantes e forte ligação com a comunidade onde estão inseridas. Esse vínculo favorece o sentimento de pertencimento, estimula a participação dos integrantes e fortalece iniciativas voltadas ao desenvolvimento local.
O especialista observa ainda que o cooperativismo já está presente em diversos setores da economia, como agronegócio, indústria, sistema financeiro e prestação de serviços. Entre eles, o setor de serviços aparece como um dos que ainda possuem maior potencial para expansão e formação de novas cooperativas.
Apesar das oportunidades, o sucesso do modelo depende do comprometimento dos participantes. Como todos compartilham responsabilidades, decisões, custos e resultados, é fundamental que haja clareza sobre as regras de funcionamento e sobre o papel de cada cooperado. Para Pereira, a educação financeira também exerce influência direta nesse processo, contribuindo para uma gestão mais eficiente e profissional.
Ao analisar os impactos do cooperativismo na sociedade, o professor ressalta que seus benefícios ultrapassam a geração de renda. “O cooperativismo é mais que um propósito financeiro ou econômico; é um ato social”, avalia. Para ele, valores como cooperação, pertencimento, responsabilidade compartilhada e sustentabilidade financeira ajudam a reduzir desigualdades e criar oportunidades de crescimento para indivíduos, famílias e comunidades inteiras.
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