O violonista Mathias 7 Cordas acaba de lançar o álbum Equilibrista, disponível em áudio e vídeo nas plataformas digitais. A novidade reúne o músico porto-alegrense com o instrumentista patrulhense Samuca do Acordeon e o trompetista carioca Bruno Silva em um o repertório autoral inédito, que combina choro brasileiro com jazz e referências a ritmos latino-americanos, como a milonga e o chamamé.

Para marcar o lançamento, o trio realiza uma turnê de seis apresentações na Europa, passando por quatro cidades entre Inglaterra e Portugal. A primeira parada foi na Bath Spa University, instituição do Reino Unido que se destaca pelo ensino com ênfase em criatividade, cultura e empreendedorismo. Na universidade, o trio fez show no dia 21 de outubro e ministrou um workshop de música brasileira no dia 22.
O grupo também faz cinco apresentações entre três das mais importantes cidades de Portugal: nos dias 24 e 25 em Porto, no centro cultural Bamu Zunta Mon; no dia 26 em Coimbra, no palco do MATE Festival; e nos dias 28 e 29 em Lisboa, nos espaços culturais Paraíso 45 e Fábrica Braço de Prata.
“Estamos felizes de levar esse trabalho para o exterior. O choro já tem uma presença e uma história importantes fora do Brasil, então está sendo muito especial apresentar um repertório autoral que parte dessa tradição, mas também incorpora elementos do jazz, da milonga e do chamamé. Além de mostrar o disco, estamos aproveitando essa viagem para trocar experiências com músicos e públicos de outros lugares e criar novas conexões a partir da nossa música”, destaca Mathias.
Gravado em abril no Multipalco Eva Sopher, em Porto Alegre, o trabalho audiovisual reúne oito faixas que entrelaçam de forma orgânica as formações distintas dos três músicos. Há composições de Mathias, de Samuca, além de Só Vitória, baião assinado em conjunto pelos três integrantes. Outro destaque é Alô Ziraldo!, parceria de Mathias 7 com João Camarero, um dos maiores violonistas e compositores da nova geração do violão brasileiro.
O título do disco nasceu justamente do papel desempenhado pelo violão de 7 cordas no encontro entre o acordeon e instrumentos de sopro, como o trompete e o flugelhorn. “Nas músicas, atuo como um equilibrista, sustentando, provocando, respondendo ou antecipando os caminhos para que os demais instrumentos possam se cruzar. Minha função não é apenas acompanhar, mas manter o fio invisível sobre o qual a música acontece”, explica Mathias.
O trabalho ainda conta com captação de áudio de Fábio Schein, captação e edição de vídeo de Yasmin Silva, arte gráfica de Alexandre Susin e mixagem e masterização assinadas pelo próprio Mathias.
Mais sobre o artista
Compositor, violonista e produtor cultural, Mathias Behrends Pinto, conhecido artisticamente como Mathias 7 Cordas, é um dos nomes de destaque da música instrumental brasileira contemporânea, atuando de forma consistente na criação artística, na difusão do choro e da Música Popular Brasileira e na formação de novos públicos e instrumentistas.
Desde 2014, coordena a Oficina de Choro de Porto Alegre, referência nacional na formação de instrumentistas do gênero e, desde 2018, a Oficina de Choro do Festival Internacional Sesc de Música. Também é coordenador do projeto MPB nas Escolas, no Instituto Ling, e do projeto Vozes do Futuro, iniciativa de educação musical e cidadania desenvolvida em parceria com a Tecnova Energia e sediada pela instituição O Pão dos Pobres.
Em 2017, lançou seu disco de estreia, Falso Folião, e assinou integralmente as composições do álbum Valentia, da cantora Nani Medeiros. No mesmo ano, participou do Festival Internacional de Choro de Nova York (EUA), ampliando sua atuação no cenário internacional.
Em 2018, integrou a programação do Latin Flute Festival, em Toronto (Canadá), e, em 2019, gravou o álbum Bicho Solto, disco de estreia do grupo Sexteto Gaúcho. No mesmo ano, idealizou a Orquestra de Choro de Porto Alegre (OCPA), com a qual realizou o concerto Baile Brasileiro ao lado do maestro Nailor Proveta. No mesmo período, atuou como curador do projeto Unimúsica, na edição dedicada ao samba e ao choro, e realizou a direção musical do longa-metragem Plauto, um sopro musical, dedicado à trajetória do flautista Plauto Cruz.
Em 2020, ministrou aula na Universidade de Oxford (Inglaterra) com foco na composição de choro, atuou como jurado da Moenda da Canção e foi laureado com o Prêmio Açorianos de Música na categoria Melhor Produtor Musical. Em 2025, recebeu também o Prêmio de Melhor Música Instrumental da Moenda da Canção, reconhecimento que reafirma sua relevância como compositor no cenário da música instrumental brasileira.
Desde 2022, é idealizador e produtor do Festival de Choro da Serra Gaúcha, consolidado como um importante espaço de circulação, formação e valorização do gênero no Sul do país. Em 2023, lançou seu segundo álbum autoral, Torre de Respiração, e passou a integrar a programação da rádio FM Cultura e da TVE RS como apresentador do programa Moderna Tradição.
É compositor das suítes Azul, Pelotas e Raízes, obras escritas para regional de choro e orquestra, apresentadas no âmbito do Festival Internacional Sesc de Música nas edições de 2024, 2025 e 2026, reforçando sua atuação na interseção entre tradição popular e escrita sinfônica. Entre outros trabalhos relevantes, destacam-se a palestra na inauguração da Casa do Choro (RJ), o espetáculo Na Onda do Choro, com Luiz Carlos Borges; o projeto Discutindo a Relação, ao lado de Ayres Potthoff e Luís Augusto Fischer; além da direção musical dos musicais Lupi, o Musical (2014) e Estação Brasil (2015).
Como instrumentista e acompanhador, colaborou com artistas como Ângela Maria, Luciana Rabello, Sombrinha, Jorginho do Pandeiro, Pedro Miranda, João de Almeida Neto, Roberta Sá, Nina Wirtti, Grazie Wirtti, Luis Barcelos, Aquiles Moraes e Ronaldo do Bandolim, além de nomes internacionais como Delfeayo Marsalis e Carlos Nunes.
Carregando comentários...