A pouco mais de duas horas de Porto Alegre, um pequeno município da Serra Gaúcha guarda uma experiência gastronômica e cultural que foge do comum. Monte Belo do Sul, com cerca de 3 mil habitantes, se transforma durante o Polentaço em um dos destinos mais curiosos e acolhedores do calendário regional.

Realizada no coração da cidade, a programação celebra a polenta, uma das bases da culinária da imigração italiana, entre os dias 15 e 17 de maio. Não se trata de uma refeição qualquer. O Polentaço, evento bienal que completa 30 anos em 2026, chama a atenção também por seu simbolismo. Como se fosse em plena época da imigração, o prato principal é compartilhado entre os participantes, gratuitamente, reforçando o espírito comunitário que marca a história local. E isso não acontece de forma prosaica. Há um aspecto visual que faz toda a diferença. É o preparo da iguaria, em um tacho onde cabem 800 quilos de polenta. A transferência dela para o recipiente a partir do qual será servida é conhecido como o tombo da polenta gigante e responsável por mobilizar verdadeiras aglomerações de espectadores. Neste ano, estão programados dois tombos da polenta, um no sábado, às 16h, e outro no domingo, às 14h. Em porções para degustação, o preparo de farinha de milho, água e sal é distribuído mole, com um molho de guarnição. Por lá, também, o turista encontrará uma série de pratos típicos, como sopa de capeletti e salame frito, além de polenta preparada em diferentes tipos, como frita ou brustolada.

O diferencial dessa festa está justamente nessa combinação: tradição, fartura e identidade cultural reunidas em uma celebração que mistura gastronomia típica, vinhos da região e um clima de festa do interior difícil de encontrar em centros urbanos. Para quem vive na capital, é uma oportunidade de vivenciar um ritmo diferente, mais próximo das origens da colonização italiana no Rio Grande do Sul.
Como chegar
O acesso é simples e faz parte do passeio. Saindo de Porto Alegre via BR-116, o trajeto mais comum segue via RSs 240 e 122 e pela BR-470, indo em direção a Bento Gonçalves. Pouco antes do acesso ao município, basta entrar na RS-444, no mesmo acesso ao Vale dos Vinhedos. A partir dali, são cerca de 20 minutos por estrada asfaltada até Monte Belo do Sul, em meio a vinhedos e paisagens típicas da Serra.
O que fazer na cidade
Monte Belo do Sul convida para ser explorada com calma. Vinícolas familiares – são mais de 20 opções entre estabelecimentos localizados na área central e rural, com acessos asfaltados – e propriedades rurais oferecem degustações e experiências ligadas ao enoturismo. O portal visitemontebelo.com.br condensa num único lugar os atrativos da cidade, bem como suas vinícolas, restaurantes e hospedagens.
A vista dos vales e parreirais é um atrativo à parte, especialmente para quem busca contato com a natureza e tranquilidade. Caminhadas pelo interior, visitas a agroindústrias e paradas para apreciar a culinária local ajudam a completar o roteiro, que fica ainda melhor ao ter contato com os moradores locais e aprender algumas palavras em ‘talian’, língua criada pelos imigrantes e preservada nos dias de hoje como herança cultural.
Onde se hospedar
Por ser uma cidade pequena, a oferta de hospedagem é limitada, mas única – e extremamente aconchegante. Pousadas são a principal opção, contemplando desde cabanas a hospedagens em formato de pipas de vinho, além de experiências com vistas a vinhedos ou que levam o visitante a viver como no interior, em paisagens pastoris. Uma alternativa é ficar em Bento Gonçalves, que conta com uma rede mais ampla de hotéis e fica a poucos minutos de distância.
Por que ir
O Polentaço é daqueles eventos que perpassam seu mote gastronômico, sendo uma experiência cultural. A polenta vem acompanhada de uma agenda artística que reúne corais, danças típicas e manifestações tradicionalistas, além e shows de artistas como Baitaca e Tchê Guri. Também ocorrerá a apresentação de um pacto de amizade entre o Polentaço e a Fiera Della Polenta, de Vigásio (Verona, Itália), e o lançamento da segunda edição do livro “Polentaço – Histórias de Nossa História”, com contos e desenhos de estudantes do município abordando a imigração italiana e as histórias construíram a identidade local.
Assim, o Polentaço compartilha comida e tradições – algo que, para quem vive em grandes centros, pode ser raro. A proximidade com a capital torna o passeio viável até para um bate-volta, mas o ideal é aproveitar o fim de semana para explorar a região. No fim das contas, a viagem vale pela polenta, mas também pelas paisagens, pela cultura e por vivenciar um autêntico pedaço da Serra Gaúcha.
Programe-se
O quê: 13º Polentaço
Quando: dias 15, 16 e 17 de maio
Onde: Monte Belo do Sul, na Praça Padre José Ferlin
Quanto: entrada franca
Horários: dia 15 (sexta-feira), das 18h à 0h; dia 16 (sábado), das 11h à 0h; e dia 17 (domingo), das 11h às 19h
Programação
Dia 15 (sexta-feira)
18h – Caroline Rasador – Show Inclusivo
19h – Lançamento do Livro “Polentaço - Histórias de Nossa História” e apresentação do Pacto de Amizade entre o Polentaço (Monte Belo do Sul/BR) e Fiera Della Polenta (Vigásio – Verona/IT)
20h – Roba da Ciodi e o Carnevale di Venezia
22h – Baitaca
Dia 16 (sábado)
12h – Projeto Monte Belo: Música, Canto e Dança (corais Musicando Melodias, Alegria de Cantar e Vozes em Sintonia)
13h – Família Almeida
14h30 – Interações Culturais com Josefa
15h30 – Orquestra de Sopros de Faria Lemos
16h – Tombo da Polenta Gigante
17h – Ragazzi Dei Monti
18h30 – Grupo de Danças Ballo D’Italia e Piccoli Ballerini
19h30 – Délcio Tavares e Banda
21h – Projeção Mapeada na Igreja Matriz
22h – Bodo & Jaque
Dia 17 (domingo)
12h – Grupo Sogni D’Italia
13h45 – Grupo Vicentino
14h – Tombo da Polenta Gigante
15h – Tchê Guri
16h30 – Invernada Artística CTG Giuseppe Garibaldi de Encantado
17h30 – Banda Nova Emoção
Carregando comentários...