Mulher negra, autista e ativista social vence o The Best Speaker Brasil 2025, reality que revela novas vozes da palestra no país
Mulher negra, autista e ativista social vence o The Best Speaker Brasil 2025, reality que revela novas vozes da palestra no país
Betty Mae Agi foi o destaque da grande final realizada neste sábado (29), em Porto Alegre
Em uma disputa em que a palavra é protagonista, foi o silêncio que marcou o momento mais importante da segunda edição do The Best Speaker Brasil (TBS), único reality show de palestrantes do mundo. Na tarde deste sábado (29), durante a grande final realizada na Catedral Metropolitana de Porto Alegre, o público levantou as mãos e acenou no ar para comemorar — sem aplausos. O gesto coletivo, incomum em competições, ocorreu em respeito à nova vencedora, Betty Mae Agi, que tem hipersensibilidade auditiva. Assim, envolta por uma celebração silenciosa, ela foi consagrada a grande campeã entre 35.639 inscritos, número recorde do programa.
Representante de Goiás, Betty entregou uma das apresentações mais potentes da temporada. Biomédica, mulher negra, autista e ativista social, conduziu seus 15 minutos de palco com firmeza, sensibilidade e profundidade, falando sobre sua história de vida e atuação. Sua narrativa combinou vivência pessoal, defesa da inclusão e coragem para transformar a própria trajetória em ferramenta de impacto. A força da mensagem conquistou tanto o júri — formado por Gabriela Prioli, Fabrício Carpinejar, Martha Gabriel e Luis Justo — quanto o público presente no evento, transmitido ao vivo pelo YouTube.
A trajetória de Betty já chamava atenção antes do reality. Em 2020, ela e a irmã, Brenda Agi — ambas autistas — foram reconhecidas pela Organização das Nações Unidas entre as 100 pessoas negras mais influentes do planeta. Moradoras de Anápolis (GO), fundaram a ONG Compaixão Internacional, que distribui chinelos a comunidades em situação de vulnerabilidade. A semente do projeto surgiu após uma viagem de voluntariado à África, em 2011, quando perceberam que muitas crianças não tinham o que calçar.
No palco do TBS, Betty retomou esse percurso e relembrou figuras que a inspiram, como Rosa Parks, símbolo da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos. Ao receber o prêmio, emocionou o público ao afirmar: “Se você quer fazer história, não importa se vai fazê-la sentado ou em pé. Faça tudo o que puder, do jeito que puder, para que outros possam fazer também. Hoje eu dei meu passo. E desejo que vocês também deem os seus.”
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