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Outubro Rosa pode ir além de campanhas e integrar políticas permanentes de saúde no trabalho

O cuidado com a saúde das mulheres no ambiente de trabalho não deve ficar restrito ao mês de outubro

Laudir Dutra - Redação Publicado em 2 de outubro de 2026 às 11:59
Outubro Rosa pode ir além de campanhas e integrar políticas permanentes de saúde no trabalho
Fonte: Mariana Bond - Usina de Notícias Foto: Divulgação
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O cuidado com a saúde das mulheres no ambiente de trabalho não deve ficar restrito ao mês de outubro. A campanha Outubro Rosa pode ser aproveitada pelas empresas para estimular hábitos de prevenção e autocuidado que façam parte da rotina das trabalhadoras durante todo o ano. Para isso, ações de conscientização podem ser incorporadas às políticas de Saúde e Segurança do Trabalho (SST), junto a medidas que facilitem o acesso a consultas, exames e acompanhamento médico. 

Para Tiago Minozzo, docente do curso Técnico em Segurança do Trabalho da Escola Técnica Fundatec, a legislação estabelece parâmetros importantes, mas as empresas também precisam considerar as expectativas dos profissionais e a qualidade de vida no ambiente corporativo. "As empresas precisam ter um olhar atento para a saúde de forma abrangente. Seguir somente o que está na legislação já não atende às necessidades e expectativas das pessoas no mercado, uma vez que as novas gerações dão grande importância à qualidade de vida no trabalho", afirma.

Nesse contexto, o Outubro Rosa pode ser integrado a programas já existentes, como a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio (CIPA) e o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO). A realização de palestras com profissionais da saúde, a divulgação de informações sobre prevenção e a facilitação do acesso a consultas e exames de rotina são algumas das possibilidades.

A orientação, porém, não precisa ficar restrita ao período da campanha. Segundo Minozzo, as empresas podem estabelecer ações contínuas de conscientização, criar parcerias com serviços e entidades de saúde e facilitar o acesso das funcionárias a cuidados preventivos. Também é possível utilizar os canais de comunicação interna para divulgar calendários de exames, informações sobre prevenção e lembretes ao longo do ano.

O especialista destaca ainda que o cuidado com a saúde feminina está relacionado às próprias condições oferecidas no ambiente de trabalho. Questões como ergonomia, higiene ocupacional, fatores psicossociais e saúde mental devem fazer parte dessa atenção. Um ambiente acolhedor, no qual as trabalhadoras se sintam apoiadas, pode contribuir para o bem-estar e para a redução do estresse.

A atuação de SST, portanto, ultrapassa a fiscalização do uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) e a identificação de riscos físicos no ambiente. Para Minozzo, o setor também deve manter uma escuta ativa das necessidades dos trabalhadores e utilizar a rotina dos exames periódicos para orientar as funcionárias sobre a importância do acompanhamento médico preventivo.

Outra possibilidade é estabelecer parcerias com entidades especializadas, como o Instituto da Mama do Rio Grande do Sul (IMAMA) e a Liga Feminina de Combate ao Câncer. Palestras, dinâmicas e relatos de mulheres que enfrentaram o câncer de mama podem aproximar o tema da realidade das equipes e reforçar a importância do diagnóstico precoce.

A criação de uma rede de apoio também pode envolver parcerias com unidades básicas de saúde (UBS), facilitando o acesso das trabalhadoras aos serviços disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Medidas como flexibilização de horários para consultas e exames e suporte às colaboradoras que estejam enfrentando a doença ajudam a transformar a campanha em uma política efetiva de cuidado.

"A principal medida é a orientação e a disseminação de práticas de autocuidado e de realização de exames de rotina. Contudo, para que essa orientação seja efetiva ao longo de todo o ano, a empresa deve adotar medidas práticas", ressalta Minozzo.

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