O número de profissionais que trabalham por conta própria têm aumentado no Brasil e, junto com esse movimento, cresce também a busca por mais estabilidade, reconhecimento e organização. No Dia do Profissional Liberal, celebrado em 27 de maio, o debate sobre formalização e gestão de pequenos negócios ganha ainda mais relevância.
De acordo com o docente do curso Técnico em Administração da Estácio, Sérgio Campagna Moura, esse cenário é resultado de mudanças recentes nas relações de trabalho. “Nos últimos anos, por diversos motivos, os profissionais autônomos no Brasil aumentaram em números relativos e absolutos”, explica.
Nesse contexto, a formalização surge como um caminho para reduzir a insegurança típica da informalidade. Mas antes de dar esse passo, é preciso planejamento. Abrir um negócio não significa apenas continuar exercendo a própria profissão, já que envolve novas responsabilidades, como gestão financeira, atendimento e tomada de decisões estratégicas. “Ao imaginar um negócio próprio, podemos ser ludibriados pelos possíveis benefícios futuros. Nesse caso, é preciso ser realista”, alerta o professor. Avaliar custos, rotina e capacidade de gestão é essencial para que o projeto seja viável.
Os caminhos para formalizar a atividade variam conforme o tipo e o tamanho do negócio, mas passam por três dimensões principais: técnica, legal e social. Isso significa entender desde a natureza do serviço prestado até as exigências legais e a aceitação do público.
Na gestão, um dos erros mais comuns é confundir objetivos pessoais com os objetivos da empresa. Segundo o docente, o negócio precisa ser visto como uma organização própria, com necessidades e lógica próprias de funcionamento. “Independentemente do propósito do dono, o novo negócio, do ponto de vista organizacional, objetiva-se em sobreviver”, afirma. Ou seja, decisões devem considerar a sustentabilidade da empresa, e não apenas preferências individuais.
A organização financeira também é um ponto central. Manter registros detalhados de entradas e saídas é uma prática básica, mas ainda negligenciada por muitos empreendedores. Além disso, dar preferência ao uso de capital próprio, em vez de depender excessivamente de recursos de terceiros, pode contribuir para maior estabilidade financeira no longo prazo.
No ambiente digital, a presença se tornou praticamente indispensável, mas o professor chama atenção para a importância do contato humano. Estratégias simples, como um atendimento mais próximo e personalizado, ainda são eficazes. “Uma ligação, muitas vezes, resolve em poucos minutos o que diante de uma tela pode ser um cliente perdido”, observa.
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