Nas próximas duas quartas-feiras (6 e 13 de maio), 14 jovens usuários do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos Centro Educativo Murialdo participam de dois encontros propostos pelo projeto “Territórios do Abandono”, que une as artistas Mara De Carli e Florencia Menegolla. Depois das ações realizadas no fim do mês de março, em uma casa abandonada na Rua Hércules Galló, 578, agora começa a ativação do percurso da rua, mobilizando quem a frequenta para uma reflexão sobre a ocupação do espaço urbano também com ações artísticas. As novas atividades mobilizam os parceiros da iniciativa em seu braço Educativo Social: o Vivacidade e o Instituto de Leitura Quindim, com apoio do Instituto Sergio Lovato.
Nesta primeira quarta-feira, os estudantes participam de uma roda de leitura organizada por Volnei Canônica, do Instituto Quindim. Eles farão leituras de publicações que têm personagens e paisagens urbanas, de modo a pensarem sobre a cidade e o jeito de habitá-la. Num segundo momento, os estudantes que têm entre 12 e 15 anos assistirão a um vídeo de Florencia Menegolla, produzido justamente na Rua Hércules Galló, onde se situa a escola. Também será exibido outro vídeo, este produzido pelo fotógrafo William Cabral, da Off Photo, feito com drone no dia da realização do site-specifc na casa que será a futura sede do Instituto SAMbA – que já ocupou uma casa modernista na esquina desta rua com a Visconde de Pel otas. O encontro também terá a aprticipação da arquiteta Giulia Luza, que vai falar com os estudantes sobre a pesquisa de território e cartografia do espaço urbano.
Como proponente do projeto contemplado no edital 2025 do Financiarte, a artista Mara De Carli diz que convidou o Vivacidade para que eles, com sua expertise quanto à ocupação de espaço< span style="font-family:"Verdana",sans-serif">, território e cidade, organizassem as ações culturais e socioeducativas do projeto.
“A Hercules Galló é uma rua pela qual tenho muita afeição. É a rua da minha infância, da minha juventude, é uma rua familiar. Trilhei ela tantas vezes. Então por isso pensei em chamá-los para que, junto a outras entidades culturais e educativas, como o Murialdo, que está ali na mesma região, no mesmo lugar, pudessem realizar atividades que conduzissem meu jeito de ver a rua também para outras crianças, adolescentes, jovens e adultos que transitem por ali. Vou acompanhar tudo para ver como isso passou pelo conhecimento deles e se torne algo palpável para o projeto”, diz Mara.
Depois deste primeiro encontro, na próxima quarta-feira (13), a mesma turma vai percorrer toda a Hércules Galló para, no percurso, acionarem seus celulares e criarem pequenos vídeos e fotos da rua que, pela proposta do “Territórios do Abandono”, é um percurso significativo para as questões sobre ocupação da cidade e suas relações com a arte.
“Percorrer a Hércules Galló a pé com os jovens e incentivá-los a fotografarem e criarem pequenos vídeos tem também como objetivo provocá-los a estimularem o olhar para a cidade. A partir do material captado e dos exemplos apresentados antes da atividade, eles conseguirão perceber como cada cidadão enxerga e se conecta de forma diferente ao espaço urbano”, diz Paula Valduga, presidente do Vivacidade.
Nesse contexto, as ações socioeducativas e culturais do projeto acionam nas novas gerações o senso de pertencimento, provocando os estudantes a olharem a rua e a cidade com outro tempo, mais distendido, na qual eles também estão inseridos e podem exercitar suas inquietações e perspectivas de cidadania.
“Esse projeto contribui para que eles se sintam pertencentes a esse território, já que eles não moram aqui”, diz Júlio César Machado, coordenador de projetos sociais do Centro Educativo Murialdo.
O material produzido pelos estudantes na segunda semana de atividades será editado e postado na conta do Instagram do Vivacidade.
O projeto “Territórios do Abandono” tem curadoria artística de Gabriela K. Motta, Produção cultural do Instituto SAMbA, Pesqui sa de Território de Jéssica De Carli e Giulia Luza, Projeto Educativo Social de Vivacidade, Instituto Sérgio Lovato e Instituto de Leitura Quindim.
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