O cinema produzido no Rio Grande do Sul volta a ganhar destaque em uma das principais vitrines do audiovisual independente brasileiro. A 9ª Mostra Sesc de Cinema divulgou os filmes selecionados para sua edição de 2026 e contará com 14 produções gaúchas na programação. Entre elas, o curta-metragem Zila, dirigido por Kaya Rodrigues, foi escolhido para integrar o Panorama Brasil, de circulação nacional, ao lado de obras de diferentes regiões do país; enquanto outras 13 produções compõem o Panorama Rio Grande do Sul, que circulará pelo Estado nos próximos meses, com destaque para a produção “Quando a Gente Menina Cresce”, de Neli Mombelli.
Neste ano, a Mostra Sesc de Cinema recebeu mais de 1.900 inscrições de todo o país e selecionou 52 obras para os panoramas nacionais e estaduais. Consolidado como uma das principais iniciativas de fomento ao cinema independente no Brasil, o projeto amplia a circulação de produções que, muitas vezes, encontram poucas oportunidades de exibição fora do circuito de festivais. As obras passam a integrar a programação cultural do Sesc durante os próximos 12 meses, alcançando diferentes cidades brasileiras.
Para os curadores do Panorama Rio Grande do Sul, Bianca Zasso e Daniel Rodrigues, a seleção evidencia a diversidade de olhares presentes na produção audiovisual do Estado e rompe com representações tradicionais sobre o território gaúcho. "A proposta da seleção de filmes do Panorama Gaúcho é trazer um recorte de um Estado produtor de filmes que vão além da paisagem urbana da capital ou do pampa verdejante, que o resto do país acredita ser a nossa única geografia. Marcada pela presença das mulheres, sejam como realizadoras ou protagonistas, buscamos um caminho onde conhecer os personagens e observar os cenários é só o primeiro passo rumo aos muitos 'Rio Grandes' existentes", destacam os curadores.
Entre os destaques da seleção está Zila, produção escolhida para representar o Rio Grande do Sul no Panorama Brasil. Segundo os curadores, além da qualidade artística da obra, o filme amplia o debate sobre identidade e ancestralidade ao apresentar uma perspectiva pouco difundida sobre a população negra no Estado. "A produção desmente outro tabu ligado ao extremo-sul brasileiro: o da não presença das populações negras no Rio Grande do Sul. Filmado em Santa Cruz do Sul, mostrar a vida rural pela ótica do povo preto num estado 'branquitizado' é uma verdadeira revolução", afirmam Bianca Zasso e Daniel Rodrigues sobre o filme dirigido por Kaya Rodrigues.
Além de Zila, o Panorama Rio Grande do Sul - de obras gaúchas, que serão exibidas em diferentes cidades do Estado - reúne produções de diferentes gêneros, formatos e temáticas, abordando questões ligadas às infâncias, identidade, memória, relações familiares, diversidade, envelhecimento, tecnologia, questões sociais e protagonismo feminino. O conjunto das obras convida o público a conhecer diferentes realidades e reconhecer a pluralidade do audiovisual produzido no Estado. A agenda de exibições e municípios contemplados será definida pelo Sesc/RS nas próximas semanas. As sessões terão entrada gratuita.
Arte Sesc – É um dos pilares prioritários para o Sesc/RS e tem como propósitos a valorização da arte e a disseminação da cultura para a sociedade de forma democrática e acessível, com ações que proporcionem a formação de plateias dos mais diferentes públicos. Dessa forma, promove atividades culturais de teatro, música, artes plásticas, circo, literatura e cinema, com uma intensa troca de experiências para ampliar o acesso à produção artística.
Filmes Gaúchos Selecionados à 9ª Mostra Sesc de Cinema
Selecionado ao Panorama Brasil
- Zila, de Kaya Rodrigues
Selecionados ao Panorama Estadual
- Zila, de Kaya Rodrigues
- Quando a Gente Menina Cresce, de Neli Mombelli
- A Tempestade, de Diego Müller
- Arcelia, de Jennifer Ribeiro e Gabriel Pontes
- Banho Maria, de Gabriel Faccini
- Fúrias, de Nica Maleoa
- Gambá, de MAciel Fischer
- Grão, de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa
- Manoel e Betinha, de Marta Haas
- O amanhã de ontem, de Fabrício Koltermann
- O pente, de Alisson Affonso
- O véu, de Gabriel Motta
- Para não ser levada por qualquer ventania, de Eleonora Loner
- Trapo, de João Chimendes
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