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Um em cada três cursos de Medicina não tem nota satisfatória

Exame analisou 351 cursos de Medicina, reuniu quase 90 mil participantes e apontou que 107 graduações ficaram abaixo do nível de proficiência

Laudir Dutra - Redação Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 21:30
Um em cada três cursos de Medicina não tem nota satisfatória
Fonte: Monique Marquesini - Conversion News Foto: Créditos: iStock / Cunaplus_M.Faba
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O Ministério da Educação (MEC) divulgou os resultados da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), que avaliou 351 cursos de Medicina em funcionamento no Brasil. O exame anual reforça a importância de avaliar se os futuros médicos estão preparados para atuar com segurança e qualidade.

Os dados mostram que 107 (cerca de 30%) das graduações tiveram desempenho considerado insatisfatório, ou seja, menos de 60% dos estudantes foram considerados proficientes.

Entre eles, 24 receberam conceito 1, quando menos de 40% dos participantes demonstraram proficiência. Outros 83 ficaram com conceito 2, faixa que corresponde a índices entre 40% e 59,5%.

Um curso aparece como “sem conceito”, já que contou com a participação de menos de dez estudantes. Por outro lado, 243 graduações obtiveram conceitos entre 3 e 5, sendo 5 a nota mais alta.

O interesse pelo tema também aparece nas buscas online. O termo “enamed” registra cerca de 45.906 pesquisas mensais no Google, segundo dados de ferramentas de análise de palavras-chave, indicando atenção recorrente de estudantes e instituições ao exame e aos critérios de avaliação da formação médica no país.

O que vai acontecer com os cursos com baixo desempenho no Enamed?

Embora 107 cursos de Medicina tenham registrado desempenho abaixo do esperado no Enamed, nem todas as instituições entram automaticamente no grupo passível de punição. Isso acontece porque faculdades mantidas por estados e municípios participam da avaliação, mas não se enquadram no regime de supervisão direta do ministério.

Com isso, o MEC poderá instaurar processos administrativos apenas em relação a 99 cursos. As eventuais medidas dependem do percentual de estudantes que atingiram o nível de proficiência definido na avaliação, o que resulta em diferentes tipos de restrições acadêmicas e administrativas.

Abaixo de 30% de proficiência (8 cursos): impedimento para ampliar vagas e suspensão temporária do ingresso de novos estudantes.
Entre 30% e 40% (13 cursos): redução de metade do total de vagas ofertadas.
Entre 40% e 50% (33 cursos): corte de 1/4 das vagas disponíveis.
Entre 50% e 60% (45 cursos): vedação à ampliação do número de vagas até nova avaliação.
Além disso, os cursos enquadrados nos três primeiros grupos perdem temporariamente o direito de participar do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e de outros programas federais. As penalidades permanecem válidas até a próxima edição do exame, que deve ocorrer em outubro de 2026.

Contudo, as sanções não são automáticas: o MEC abrirá processos para ouvir as instituições, que ainda poderão recorrer judicialmente.

Como foi o desempenho dos estudantes no Enamed?

Segundo levantamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Enamed avaliou 89.024 participantes entre estudantes e profissionais formados em Medicina. Do total, 75% alcançaram desempenho considerado proficiente.

Entre os concluintes do curso, que somaram pouco mais de 39 mil participantes, 67% atingiram o nível de proficiência. Já o público geral, composto por cerca de 50 mil médicos formados e inscritos no Exame Nacional de Residência (Enare), apresentou índice de proficiência de 81%.

O que é o Enamed?

O Enamed foi criado pelo Ministério da Educação e é executado pelo Inep, com apoio da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). O exame reúne os referenciais utilizados no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e na prova objetiva de acesso direto do Enare. Os objetivos são:

- avaliar se os estudantes concluintes desenvolveram as competências previstas nas Diretrizes Curriculares Nacionais;
- apoiar a melhoria dos cursos de Medicina no país;
- aprimorar o processo de seleção para residência;
- promover unificação e transparência no acesso aos programas.

Além disso, o Enamed também se insere na estratégia de fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), ao buscar assegurar que os futuros médicos concluam a graduação preparados para atuar de forma qualificada na rede pública de saúde.

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