A modernização vem chegando a hospitais e clínicas de todo o país, modificando a infraestrutura digital desses ambientes. De acordo com dados do Future Health Index, mais de 65% dos líderes em saúde em todo o mundo acreditam que a transformação digital é prioritária para o futuro de suas instituições.
O mesmo levantamento mostra, ainda, que, na América Latina, há um interesse crescente em tecnologias que melhorem a integração de dados, reduzam erros médicos e fortaleçam a atenção personalizada.
Contudo, junto à modernização, vêm novos desafios. Um deles está relacionado com a integração entre diferentes práticas de alta complexidade e a segurança, a fim de que funcionem de forma integrada e segura. Segundo informações do Guia da Anvisa 2025, “tecnologias podem reduzir riscos, mas também introduzir novas vulnerabilidades se não forem bem implementadas.”
Tecnologia em radioterapia redesenha a segurança dos centros
No caso de instituições de saúde que lidam com tratamento voltado para pacientes com câncer, não é diferente. Muitos centros de saúde realizam procedimentos por cateter, como em alguns casos de administração da quimioterapia, e lidam diariamente com medicamentos potentes, por exemplo, o que exige cuidados extras com segurança, organização de espaços e proteção das equipes. Isso porque quando várias técnicas avançadas convivem no mesmo local, aumentam as exigências de controle de riscos e de coordenação entre profissionais.
Para o gerente de Soluções para Saúde da Logicalis, empresa com foco em soluções e serviços de tecnologia e comunicação, Gustavo Marui, “a infraestrutura e a tecnologia precisam ser vistas como alicerces, como investimento base, para prover melhor experiência no atendimento ao paciente, agilidade, redução de custos de processos, focando na qualidade e no bem-estar.”
Além da necessidade de infraestrutura atualizada, capaz de receber as inovações, o fator humano precisa ser bem trabalhado. Isso porque a equipe assistencial, se não estiver bem preparada, pode representar risco à segurança de pacientes, mesmo em casos de tratamentos minimamente invasivos, como os riscos associados à ablação.
Do ponto de vista da segurança cibernética, o especialista da Tenable, Satnam Narang, destaca a limitação de recursos humanos especializados. “Muitos hospitais e clínicas operam com equipes pequenas e contam com funcionários sem treinamento adequado. Sem profissionais preparados e sem soluções robustas, torna-se mais difícil identificar, responder e mitigar ameaças digitais com eficiência”.
A instalação de um centro de comando pode representar chances de melhoria da eficiência operacional, unindo tecnologia em tempo real combinada com processos de gestão ágeis e uma cultura de tomada de decisão rápida. Um relato de experiência divulgado nos Anais do Health Meeting Business & Innovation afirma que a instalação de um command center em um hospital de Porto Alegre foi responsável por elevar a qualidade do atendimento, além de promover maior satisfação entre pacientes e equipes hospitalares.
Melhor tratamento para pacientes
Dados da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBR) estimam que 60% dos pacientes com câncer vão receber radioterapia em algum momento do tratamento. “Em 85% dos casos, a intenção do tratamento é curativa. Mas, para isso, é preciso oferecer o melhor, ou seja, a radioterapia precisa ser bem feita, a fim de que se consiga entregar o melhor ao paciente”, destaca o presidente da SBR, Marcus Simões Castilho.
Neste contexto, a precisão do equipamento, graças à tecnologia empregada, já permite reduzir o número de sessões, bem como o tempo de exposição. Um desses avanços é o planejamento computadorizado, que auxilia, por meio de imagens tridimensionais e até em 4D, a definir, de modo preciso, o volume do tumor, reduzindo erros que ocorrem em cálculos manuais. Já por meio da radioterapia guiada por imagem (IGTR), é possível corrigir a posição do paciente ou do feixe de radiação durante a sessão, garantindo precisão ao atingir o tumor.
Já as avançadas técnicas de radioterapia de intensidade modulada (IMRT) e radioterapia com arco volumétrico (VMAT) são capazes de modular a intensidade do feixe de radiação, o que permite que o tumor receba uma dose eficaz de radiação, reduzindo a toxicidade em órgãos próximos. Artigo publicado na Revista Brasileira de Física Médica mostra a técnica VMAT como mais indicada, isso porque permite um tempo de tratamento reduzido e menos MUs para a entrega da dose. MUs referem-se à medida que quantifica a dose da radiação.
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