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Compliance deixa de ser custo e assume papel estratégico

Organizações ampliam investimentos em governança, tecnologia e prevenção de riscos diante de novas exigências regulatórias

Laudir Dutra - Redação Publicado em 5 de junho de 2026 às 16:20
Compliance deixa de ser custo e assume papel estratégico
Fonte: Gustavo Rodrigues Foto: Foto: Tiger Lily/Pexels
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Empresas que contam com governança corporativa registram maior previsibilidade de resultados e menor exposição a riscos operacionais. A afirmação é da pesquisa Future of Controls, realizada pela Deloitte, no ano passado. O levantamento mostra que 58% das grandes empresas brasileiras estão alinhando controles de risco à estratégia.

Na prática, processos de compliance e auditoria interna deixaram de ser vistos como custo, passando a ser encarados como valor para os negócios. A conformidade funciona de forma complementar à governança, como explica o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).

Se por um lado o trabalho de governança define princípios e estrutura a direção da empresa, por outro, os processos de compliance e auditoria garantem a conformidade com a legislação, as normas e as políticas internas. Assim, o IBGC enfatiza que a relação entre  governança corporativa e compliance é benéfica às empresas, aumentando o controle interno, prevenindo riscos e mitigando eventuais falhas.

Dados do relatório Report to the Nations, da Association of Certified Fraud Examiners (ACFE) mostram que organizações com controles internos conseguem reduzir a incidência e a duração de fraudes, diminuindo impactos financeiros e operacionais.

Projeções do compliance para 2026

A expectativa é que, em 2026, o compliance continue avançando dentro das empresas, mas de forma mais estruturada, estratégica e orientada, por meio de modelos analíticos, preventivos e sustentáveis. Para isso, as empresas devem integrar ainda mais a governança e o compliance com o uso de tecnologia, o monitoramento contínuo das ações e a consolidação da cultura organizacional pautada em valores.

“É difícil acompanhar a velocidade das transformações contínuas. Nesse contexto, movimentos para a cultura de engajamento, dos investimentos tecnológicos e do apoio especializado são os mais recomendados para a boa governança”, afirma a sócia-líder da prática Accounting & Internal Controls da Deloitte, Camila Boretti.

Um dos aspectos que impulsiona o avanço do compliance está relacionado à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O texto estabelece que as organizações realizem uma gestão contínua e transparente dos dados pessoais, com a necessidade de controles internos bem definidos, gestão de incidentes e governança de dados. 

No mesmo caminho, o uso de Inteligência Artificial (IA) para análise de riscos e o maior accountability da alta liderança tornam os programas de compliance mais eficientes e mensuráveis.

Para o advogado João Delgado, “2026 exigirá antecipação. Isso porque diante da convergência entre IA, cibersegurança e a nova realidade tributária, a segurança jurídica dependerá de uma governança integrada e preditiva. O compliance deixa de ser um acessório burocrático para se tornar o pilar central de sustentabilidade e estratégia dos negócios.” 

O compliance trabalhista deve ganhar destaque, sendo fundamental para a construção de ambientes de trabalho mais éticos, transparentes e seguros, o que impacta, de forma direta, na mitigação de riscos jurídicos, operacionais e reputacionais.

Além de focar no cumprimento da legislação, o compliance trabalhista se relaciona com procedimentos definidos, treinamentos alinhados aos riscos reais da organização e instâncias responsáveis por monitorar e corrigir desvios. 

Para a advogada Jéssica Brito, essa estrutura será fundamental em um ano que traz polarização política e impactos econômicos indiretos resultantes de grandes eventos, como Copa do Mundo e feriados prolongados. 

Compliance e IA

O estudo The Future of Compliance 2030, publicado pela Gartner, revela que 46% das empresas pretendem aumentar os investimentos em tecnologia de compliance, movimento que reforça o avanço da IA.

Já os dados da pesquisa “Compliance ON TOP 2025” mostram que 81,6% dos profissionais da área estiveram envolvidos, nos 12 meses anteriores à pesquisa, em discussões ou projetos relacionados com a IA. Em 2023, apenas 55,1% dos respondentes afirmaram o mesmo.

A intenção quanto ao uso dessa tecnologia é ampliar a capacidade humana de análise, lidar com grandes volumes de dados e acelerar validações. Na gestão de terceiros, que inclui fornecedores e clientes, a IA deve atuar como suporte à validação documental e ao monitoramento de conformidade.

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