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O supermercado e a nova lógica de consumo

Por Marcos Téche Vieira, Gestor comercial da Multiflon

Laudir Dutra - Redação Publicado em 17 de agosto de 2026 às 16:18
O supermercado e a nova lógica de consumo
Fonte: Matheus Teodoro - Dinâmica Conteúdo Inteligência Foto: Marcos Téche Vieira, gestor comercial da Multiflon - Crédito Thiago Spagnollo
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Durante muito tempo, pensar em supermercado significava associá-lo ao abastecimento alimentar. Hoje, essa relação já não dá conta da dimensão que o varejo alimentar alcançou. No Brasil, o setor movimentou mais de R$ 1,145 trilhão em 2025, segundo o Ranking ABRAS 2026, o equivalente a 9,02% do PIB nacional. 

No Rio Grande do Sul, foram R$ 75,6 bilhões em faturamento, de acordo com o Ranking AGAS 2026. Os números ajudam a explicar o motivo desse canal ocupar um espaço tão relevante também na disputa por categorias que tradicionalmente estavam fora de suas prateleiras.

A mudança diz respeito menos ao supermercado em si e mais à forma como consumimos. Em uma rotina marcada pela falta de tempo, encontrar diferentes soluções em um mesmo lugar ganhou valor. A conveniência deixou de ser apenas um atributo desejável e passou a fazer parte da decisão de compra.

Assim, produtos para a casa, como utensílios domésticos, começam a encontrar espaço no varejo alimentar. Panelas, frigideiras e outros itens de uso cotidiano podem deixar de ser uma compra planejada para entrar no carrinho durante uma visita que tinha outro objetivo. A exposição, o preço e a percepção imediata de utilidade ajudam a transformar uma oportunidade em decisão.

Há também uma mudança na lógica do ponto de venda. Quando categorias diferentes convivem no mesmo ambiente, o supermercado deixa de ser apenas um lugar de reposição e passa a funcionar como uma espécie de curadoria prática da vida doméstica. O consumidor não precisa procurar uma loja especializada para resolver uma necessidade pontual.

Isso não significa que o varejo alimentar vá substituir os canais tradicionais. Para as indústrias, entender esse comportamento significa olhar menos para a fronteira entre categorias e mais para os momentos em que uma compra acontece.

No fim, talvez a grande transformação esteja justamente aí: o carrinho de supermercado deixou de carregar apenas aquilo que estava na lista. Ele também passou a carregar oportunidades. E, em um varejo cada vez mais orientado pela conveniência, aquilo que não estava planejado pode ser justamente o que encontra espaço.


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