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Sobre o tempo que ainda tenho

*By Laudir Dutra

Laudir Dutra - Redação Publicado em 1 de novembro de 2026 às 10:51 Ver todas as matérias →
Sobre o tempo que ainda tenho
Fonte: Laudir Dutra Foto: Magnific
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Todos os dias vêm um turbilhão de coisas na minha cabeça, relembro fatos, pessoas, passagens e às vezes fica tão difícil de assimilar tanta informação, entro numa ebulição de sentimentos justamente por danos irreversíveis ou não na minha percepção como pessoa.
Nem sempre (ou quase sempre) os caminhos escolhidos são aqueles que melhor daria resultado, a felicidade é algo subjetivo que pode estar em qualquer lugar, mas a gente não percebe muitas vezes algo que está ali na nossa frente, meio que gritando, chamando a nossa atenção para o óbvio.

Antes de dormir e também logo ao acordar pela manhã, faço um resumo, uma espécie de recaminho, contabilizo tudo que tenho na mente, sentimentos desencontrados, afinal, tudo se resumo em estar bem, ter com quem contar, conviver muitas vezes com aquilo que vai além da nossa vontade.

Não cabe um vitimismo bobo, um achaque, um ponto de vista visto apenas do meu prisma, um entendimento de que só eu tenho aquilo que planto e que realmente acredito piamente que a melhor escolha é a minha e que nada mais importa. Quantas portas na cara, quantas decepções por conta da minha teimosia, desencontros, boa intenção, imaturidade, medo, covardia e legitimidade do seu estado de espírito no pleno momento da sua realidade.

Hoje me vejo diante de paradigmas que não foram feitos para o meu entendimento, busco num espaço paralelo as respostas para tudo o que o meu tempo me permite. O tempo é cruel demais, ele vai derrubando tudo, verdades, intenções, vontades e sempre ou quase nunca nos dá uma segunda chance.

Acredito que me afastei demais de tudo, das pessoas, dos sonhos, das possibilidades, não tive talvez a sensibilidade e a paciência para esperar que as coisas se ajeitassem no seu tempo. Corro contra tudo isso, sabedor de que não sou o dono do que ocorre ao meu redor, que as pessoas nem sempre me acolhem, que os amigos são raros sim, que uma verdade, por mais que doa, é sempre melhor do que uma mentira que pode doer amanhã.

A gente vai fazendo nossos círculos, de amizade, de convivência, de pessoas que mais têm a ver com a gente, só não podemos esquecer de conviver conosco, com os fantasmas que volta e meia vêm nos assombrar, tirar a nossa paz, pois os demônios dos outros geralmente têm esse dom, nos tirar do nosso eixo, desafiar a nossa paciência e instigar a fera que temos guardada, como uma espécie de guarda-alma. Nunca sabemos quando vamos precisar, mas alimentamos com conivência, quando o melhor seria nos afastar para não ter que lidar com a situação.

Às vezes choro mergulhado nos meus desencontros entre a alma e a legítima sensibilidade de quem ama desesperadamente, que resiste às investidas de novas possibilidades, acho que literalmente me dei um tempo, mesmo sabendo que esse eu não tenho em abundância. Quem me dera poder transformar as expectativas num lugar onde pudesse respirar ar puro, me conectar com a natureza que está à minha volta clamando por cuidado, por carinho. Ser resiliente também tem a ver com suportar a dor da saudade, da família unida, da tua mãe, do teu pai e até daquele que foi o melhor cachorro que você um dia já teve.

Contabilizar os momentos relevantes que tive é tão bom, especialmente por saber que foram os melhores professores que Deus poderia ter me dado, cada pessoa, cada coisa, cada lugar que convivi ou passei serviram para moldar a minha maneira de enxergar as coisas. Tenho a certeza de que nesses tantos vieses esteve contido o caminho e a resposta para todas as minhas perguntas.

Não me sinto melhor nem pior de quando eu tinha 16, 17 anos de idade e via o mundo e a vida literalmente passarem na minha frente, acredito que não me dei um tempo para fixar a minha bandeira em um tempo e espaço, preferi desbravar mais e mais. Talvez eu tenha passado do ponto, aí, nesse intervalo de tempo, deve ter ficado implícito que eu deixei de ser eu mesmo, pois arriscar com um ‘copie e cole’ pode custar caro.

A gente passa a vida toda fazendo planos e desenvolvendo teses, hoje eu me dou conta disso, faço uma mea culpa sobre as decisões que deixei de tomar e me fortaleço com a certeza de que talvez ainda dê tempo para refazer a minha rota. Melhor que sonhar acordado é ir pavimentando a concretização de tudo o que você ainda pode dar certo.

Eu sei que ainda está nas minhas mãos o resultado de todas as minhas decisões, por isso, vou dar o tempo necessário para que Deus fortaleça a minha fé e pavimente a minha estrada.

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