Jornal Ponto Inicial

Talento ou ciência? Longevidade de Messi em estudo

Fisioterapeuta e nutricionista analisam como preparação física, alimentação e adaptação ajudam atleta argentino a seguir decisivo em uma Copa do Mundo

Laudir Dutra - Redação Publicado em 23 de junho de 2026 às 21:43
Talento ou ciência? Longevidade de Messi em estudo
Fonte: Mariana Bond - Usina de Notícias Foto: Divulgação
Publicidade
Lionel Messi chegou à Copa do Mundo 2026 mostrando que a idade pode ser um desafio, mas não necessariamente uma barreira para atletas de elite. Aos quase 40 anos, o argentino se tornou o maior artilheiro da história do campeonato, com cinco gols marcados em apenas dois jogos, levantando uma discussão sobre os limites do corpo humano no esporte de alto rendimento.

Para o professor dos cursos de Fisioterapia e Educação Física da Estácio, Arlindo Elias Neto, o desempenho de Messi é resultado de uma combinação entre características individuais, adaptação ao longo da carreira e avanços da ciência esportiva. Segundo ele, mesmo atletas de alta performance não escapam das mudanças naturais provocadas pelo envelhecimento.

“O corpo de um atleta de alta performance envelhece de forma diferente de uma pessoa comum, mas não escapa das mudanças biológicas que o tempo impõe. A partir dos 30 e poucos anos, começa uma queda gradual na capacidade de produzir força máxima e na velocidade de reação. Os músculos perdem fibras de contração rápida, responsáveis pelos movimentos explosivos, e a recuperação após esforços intensos também se torna mais lenta”, explica.

De acordo com o especialista, o diferencial de Messi está justamente na capacidade de adaptar seu jogo. Ele explica que, quando um atleta não consegue mais confiar apenas na velocidade e na explosão física, ele passa a usar aquilo que acumulou ao longo dos anos: leitura de jogo, posicionamento, antecipação e precisão técnica. “É como trocar o acelerador pelo GPS”, compara.

Para Arlindo, a experiência se torna uma ferramenta competitiva. Segundo ele, a habilidade de Messi de ler espaços, decidir rapidamente e se posicionar melhor não envelhece como os músculos, em alguns aspectos, pode até melhorar com a experiência.

Outro desafio para atletas veteranos é a recuperação entre partidas. “Em uma competição como a Copa do Mundo, com jogos em sequência, esse fator ganha ainda mais importância. Isso porque, explica o especialista, depois dos 35 anos, o corpo demora mais para se recuperar de um esforço intenso. Um atleta de 38 anos pode precisar de 48 a 72 horas para se recuperar de uma partida que, aos 25 anos, levaria cerca de 24 horas”, afirma.

O fisioterapeuta destaca que a prevenção passa a ser fundamental para prolongar carreiras. Para Arlindo, a fisioterapia preventiva envolve avaliações regulares de força, mobilidade e equilíbrio muscular, além de exercícios específicos para fortalecer regiões mais vulneráveis e controlar a carga de treinamento.

Alimentação tem lugar especial no processo

Além do cuidado físico, a alimentação também tem papel estratégico na manutenção da performance. Para a nutricionista clínica e docente da Estácio, Paula Claudino, atletas próximos dos 40 anos precisam de um planejamento ainda mais individualizado.

“A alimentação não impede o envelhecimento fisiológico, mas pode reduzir seus impactos sobre composição corporal, força, imunidade e recuperação. Nessa fase, é importante garantir energia suficiente para a carga de treinos e jogos, distribuir adequadamente as proteínas ao longo do dia e ajustar o consumo de carboidratos conforme a exigência esportiva”, explica.

Segundo ela, em torneios de curta duração, como a Copa do Mundo, a nutrição faz parte da estratégia de recuperação. Após uma partida, por exemplo, a prioridade é iniciar rapidamente a reposição dos estoques de carboidratos, oferecer proteínas para recuperação muscular e restabelecer líquidos e eletrólitos perdidos pelo suor.

Paula destaca ainda que atletas veteranos têm uma margem menor para erros e que, por isso, é necessário acompanhar com mais atenção a massa muscular, percentual de gordura, saúde óssea, exames laboratoriais e a resposta individual aos jogos. De acordo com a nutricionista, dietas muito restritivas podem acabar causando perda muscular, fadiga e maior dificuldade de recuperação.

Para os especialistas, o caso de Messi mostra que a longevidade esportiva depende de uma combinação de fatores. “A idade é um fator limitante porque o corpo muda. Nenhuma dieta ou fisioterapia faz um atleta de 38 anos ter o mesmo corpo de quando tinha 27. Mas o exemplo do Messi mostra que, com preparação física personalizada, nutrição adequada, recuperação planejada e inteligência de carreira, é possível chegar a essa fase ainda sendo decisivo”, avalia Arlindo.

Paula reforça que o talento é apenas parte da equação. “O talento do Messi é fora de discussão, mas permanecer em alto nível por tantos anos exige cuidado, disciplina e uma equipe preparada ao redor do atleta. O talento abre o caminho, mas a longevidade exige manutenção.”

O que achou desta notícia?

Sua opinião é fundamental para nosso jornalismo.

Leia Também

Comentários

Carregando comentários...

Publicidade Publicidade