De outros carnavais vêm as imagens eternizadas na retina de um ser tão repleto de maravilhosas nuances, um que viveu, que implorou e que chegou ao pódio com muitos sambas enredos.
Palcos foram diversos, notas 10 foram várias, aplausos? Ih, perdi a conta, mas o que me deu o maior prêmio foi aquele onde, vestido de arlequim desfilei com galhardia e destreza na avenida dos meus sonhos e das minhas realizações.
Talvez este palhaço que riu e fez tanta gente rir de alegria, de felicidade por ter sido o protagonista de tamanho feito, tenha ido tão longe, mas tão longe, que hoje, passados muitos e muitos carnavais, ainda não teve tempo ou não quis tirar o brilho do glitter do rosto, afinal, ainda faltam as luzes da ribalta se apagarem em definitivo e isso é algo que vai demorar muito tempo.
Quando se aproxima os derradeiros passos de um desfile cheio de ensejos, a hora mais linda, a maravilhosa sensação de que entregou tudo o que havia prometido, olho para a arquibancada e vejo um monte de rostos conhecidos festejando o meu momento, amigos que levei, amigos que nunca mais havia visto, gente que me viu crescer, que acompanhou a minha luta, que torceu por mim, que viu o meu esforço para estar nesse palco chamado vida.
Hoje olho para trás e me deparo com sentimentos que me eram tão fáceis de expressar, meus passos, meu gingado e meu samba sempre foram harmoniosos que despertavam nos outros todos os sentimentos de acolhimento e de bem querer e que só por isso percebo a cada dia que passa, que meus carnavais recém começaram.
Vou embora agora, não me leve a mal, todos os dias são de carnaval.
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