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Garibaldi Tech e produtores debatem manejo sustentável

Segunda edição do evento, promovido pela Cooperativa Vinícola Garibaldi, abordou defensivos, fertilidade do solo, pragas e controle biológico, dia 23 de abril

Laudir Dutra - Redação Publicado em 29 de abril de 2026 às 14:51
Garibaldi Tech e produtores debatem manejo sustentável
Fonte: Viviane Somacal - Exata Comunicação Foto: Oscar Ló, Presidente da Cooperativa Vinícola Garibaldi - Crédito: Exata Comunicação, Tiago Garziera
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A segunda edição do Garibaldi Tech reuniu produtores da Cooperativa Vinícola Garibaldi e especialistas para discutir práticas mais eficientes e sustentáveis na viticultura. O encontro ocorreu dia 23 de abril, na Associação dos Motoristas de Garibaldi, e trouxe programação técnica voltada ao manejo integrado dos vinhedos. “Preparamos a programação com cuidado, com temas que dialogam diretamente com a qualificação da produção e os cuidados no campo. É uma oportunidade importante não só para ouvir, mas também para esclarecer dúvidas e trocar experiências, fortalecendo ainda mais o trabalho desenvolvido nas propriedades”, disse o presidente da cooperativa, Oscar Ló.
Garibaldi Tech e produtores debatem manejo sustentável
Marcos Botton, da Embrapa Uva e Vinho

Gerente técnico da cooperativa, Evandro Bosa reforçou que o evento é pensado para levar informação técnica de qualidade ao produtor, conectando pesquisa, mercado e a realidade do campo. “Nosso objetivo é apoiar decisões mais acertadas dentro do vinhedo, seja no manejo de solo, no controle de pragas ou no uso de defensivos e biológicos. Quando o produtor tem acesso ao conhecimento e entende melhor o sistema, ele ganha em eficiência, sustentabilidade e resultado”, destacou.
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Marcos Almança, do IFRS-BG

A abertura contou com a palestra da química Isadora Fernandes, da Gowan Brasil, que destacou a importância das boas práticas agrícolas no uso de defensivos. O manejo fitossanitário da uva e a segurança no uso desses produtos foram pontos centrais, com orientações que vão desde a escolha até o armazenamento adequado. Um dos principais alertas foi sobre o momento da manipulação, considerado o mais crítico, reforçando orientações sobre a necessidade do uso correto de EPIs, da tríplice lavagem de embalagens e de utensílios exclusivos.

Na sequência, o professor Gustavo Brunetto, da Universidade Federal de Santa Maria, abordou os desafios no manejo da fertilidade do solo. Com base em mais de duas décadas de pesquisas, ele reforçou que a análise de solo deve ser encarada como ferramenta essencial para tomada de decisão. “É como um exame de sangue: ela mostra quais nutrientes estão disponíveis e orienta a necessidade de correção”, disse Brunetto. A análise de folhas também complementa o diagnóstico, indicando o que a planta efetivamente absorveu.

O manejo de insetos-pragas foi tema da palestra do pesquisador Marcos Botton, da Embrapa. Ele reforçou que não existe solução única e que cada vinhedo possui características próprias. “Nem sempre o que funciona em uma área vai funcionar em outra”, afirmou. O pesquisador abordou também o ciclo dos insetos, da diferença entre tipos de pragas e seus comportamentos, e o uso de defensivos. No caso destes, a recomendação é evitar aplicações desnecessárias e misturas inadequadas de produtos. O uso incorreto pode aumentar custos, gerar resistência das pragas e eliminar organismos benéficos. “Antes de aplicar, é preciso saber qual praga está sendo controlada”, foi ressaltado.

Encerrando a programação, o professor Marcos Almança, do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS-BG), apresentou o tema controle biológico de doenças na videira. Ele destacou o crescimento do uso dessa tecnologia no Brasil e a necessidade de maior conhecimento técnico para sua aplicação correta. O controle biológico não substitui o químico, mas atua de forma complementar. Enquanto os defensivos tradicionais têm ação direta, os biológicos utilizam microrganismos que interagem no sistema, promovendo equilíbrio. Outro ponto enfatizado foi o momento de aplicação. Por se tratar de organismos vivos, o posicionamento correto é decisivo para a eficiência. A recomendação é clara: testar, acompanhar resultados e entender o sistema como um todo. “Mais do que substituir, o biológico vem para somar. O desafio está em saber como, quando e por que usar”, opinou.

 

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