No conceituado Jornal Ponto Inicial, foi veiculado no dia 30 de novembro de 2022 um artigo intitulado “Imigração Italiana: A trajetória da família Sperotto, Venturela e Rasera, em Bento Gonçalves RS.”
No Dia Nacional do Imigrante Italiano,
21 de fevereiro, homenageamos a bela e emocionante jornada
dos imigrantes italianos no Brasil, incluindo a família de Ivone Maria
(Venturela) (Sperotto) Rasera Souto, durante a viagem de seus antepassados em
um navio a vapor da Itália para o Brasil.
Essa história descreve a trajetória dos imigrantes italianos que vieram ao Brasil em busca de uma vida melhor, longe da guerra e da pobreza.
O objetivo é recuperar a história vivida pelos imigrantes
italianos das famílias Sperotto, Venturela e Rasera. As famílias se
estabeleceram na Serra Gaúcha, na antiga colônia Dona Isabel, hoje conhecida
como Bento Gonçalves-RS
Uma entrevista envolvente com Ivone Maria Rasera Souto,
descendente de imigrantes italianos residentes na Serra Gaúcha, tratará de
temas sociais, culturais, econômicos, religiosos, afetivos, educacionais e
gastronômicos.
Um agradecimento especial a Ivone Maria Rasera Souto por sua dedicação e generosidade na elaboração da história e do percurso de vida de seus descendentes. Ivone guarda recortes de jornal a respeito da imigração, bem como álbuns repletos de fotografias e cartas.
A família italiana Sperotto desembarca no Brasil pelo porto do
Rio de Janeiro em 17 de janeiro de 1885. Originários da comuna
italiana da região do Vêneto, província de Vicenza,
estabeleceram-se na serra gaúcha, antiga colônia Dona Isabel, atual Bento
Gonçalves, RS.
A família de Giovanni Batistta Sperotto (*19-11-1852), filho de Sebastiano Sperotto e Anna Balzan, casado com Maria Antonia Batistella em 07-01-1874, na Itália, chegou ao Brasil com os filhos: Luige (*07-04-1884), Antonio (*22-03-1882), Giovanni (*21-05-1878) e Sebastiano (*16-04-1874). Eles se instalaram no lote 36 da Linha José Júlio, IV Seção, em Bento Gonçalves - RS, no ano de 1895.
Os pioneiros Giovanni Venturela e Ernesta Zandonato Venturela chegaram ao Brasil em 1889, quatro anos após a família Sperotto. Fixando-se na histórica Colônia Dona Isabel, em Bento Gonçalves-RS.
A família dos imigrantes italianos Guerino Rasera, casado com
Rosa Colonhese, também vinda da Itália, desembarcou no Brasil por volta de
1889. Estabeleceram-se na Colônia Palmeiro, em Bento Gonçalves- RS.
Tiveram os filhos: 1) Adelina Rasera Cordazzo,2) Maria Rasera Facchim, 3)
Sabina Rasera Stefenon, 4) Albina Rasera Osmarim, 5) Lucia Rasera Gnoatto, 5)
Josefina Rasera; João (* 28-08-1904, +3008-1969), Adicreto Rasera (* 02-02-1912,
+13-05-1965), Flaminio Rasera, Albino Rasera e José Rasera (*20-02-1920,
+18-02-1989).
A neta Ivone Maria Rasera Souto apurou que a razão pela qual
essas famílias migraram para o Brasil foi narrada pela avó Adélia (Venturela)
Sperotto: “a vida na Itália, antes de embarcarmos para o Brasil, foi difícil,
sentíamos muito frio e a neve era intensa.” Assim, eles ganhavam um trocado
limpando as correntes cobertas de neve e, à noite, para se aquecer, dormiam com
as vacas na estrebaria, enfrentando grandes dificuldades. Eles não tinham muito
dinheiro, então, quando surgiu a oportunidade de ganhar bilhetes dizendo:
“vamos conhecer o Brasil, um belo país”, ficaram muito animados.
A avó Adélia falava sobre sua amiga Cornélia, com quem viajou no
mesmo navio a vapor. A viagem era muito longa, e muitas pessoas morriam durante
o percurso, sendo os corpos lançados ao mar. Fizeram uma parada em um local
específico, e depois seguiram adiante para comprar um brinquedinho para ela.
Adélia Venturela embarcou no Vapor da Itália rumo ao Brasil um
dia depois do previsto por seu pai, que já se encontrava no país. Aquele Vapor afundou, e ele entrou em
desespero, pensando que sua filha pudesse ter morrido. Porém, a nonna Adélia
desembarcou no Brasil com a família no dia seguinte.
Em uma manhã, conta a avó Adélia, sua mãe Ernesta os
chamou para se levantar da cama e gritaram: "Su Délia, demo a lá
Mérica." Demo", ela queria dizer "vamos". Ao chegarem ao destino, todos estavam
chorando de felicidade.
No Brasil, durante o mês de janeiro, permaneceram hospedados em
Bento Gonçalves- RS, na região de Barracão, na Linha Palmeiro, e outras
famílias de imigrantes italianos foram acolhidas na Cidade Alta, na igreja
Cristo Rei, até que o governo lhes concedesse as linhas e lotes correspondentes
a cada imigrante.
Ivone conta que adorava quando a nonna Adélia Venturela Sperotto
dormia em seu quarto quando era criança, porque ela sempre contava histórias de
sua vida na Itália e no Brasil.
É importante destacar que a família do imigrante italiano
Giovanni Batistta Sperotto se instalou em Bento Gonçalves -RS. Uma das
adversidades enfrentadas por seus antepassados foi a precariedade, com
abundância de mato, animais ferozes rondando à noite e escassez de água.
Contudo, depois de se estabelecerem na antiga colônia Dona
Isabel e receberem escassa assistência do governo brasileiro, os imigrantes
italianos relataram que foram iludidos pelos panfletos na Itália, pois
acreditavam que encontrariam um paraíso no Brasil.
A contribuição do governo brasileiro foi mínima, fornecendo
apenas algumas ferramentas, como enxadas e pás. Devido a esses desafios, nenhum
dos descendentes dos imigrantes italianos continuou a profissão dos
antepassados.
A família Sperotto, de comerciantes, contribuiu para o progresso
de Bento Gonçalves, RS, deixando sua história documentada. Muitos ascendentes
das famílias ainda residem em Bento Gonçalves - RS. Alguns se deslocaram para
os municípios de Caxias do Sul, Porto Alegre, Torres e São Leopoldo, no Rio
Grande do Sul.
Genealogia da família Sperotto
Primeira Geração: Sebastiano Sperotto e Anna Balzan, originários
da Itália
Segunda Geração: Giovanni Battista Sperotto, (*19-11-1852,
na Itália). É casado com Maria Antonia Batistella. O
casamento ocorreu na Itália no dia 07-01-1874. Tiveram os filhos:
Sebastiano Sperotto, (*16-04-1874 na Itália); Giovanni Sperotto, (*21-05-1878
na Italia; Luige Sperotto, (*07-04-1884 na Itália; e Antonio Sperotto,
(22-03-1882 na Itália).
Terceira Geração: Luige Battista Sperotto (* 07-04-1884). Em
1912, casou-se com Adélia (Zandonato) Venturela. Adélia é descendente de
Giovanni Venturela (* 1885) e Ernesta Zandonato (* 1888).
Quarta geração: Ayde Sevilina (Venturela) Sperotto casou-se com
José Rasera em janeiro de 1945; Unildo Giovanni (Venturela) Sperotto
(*11-07-1913, +16-03-1996) casado com Maria Barlesi (*29-09-1916, +
28-11-1977); Olfides (Venturela) Sperotto casado com Lídia Minela; Zuma
(Venturela) Sperotto casada com Ângelo Lourenço Tesser; Enio (Venturela)
Sperotto casado com Sirlei Sperotto; Iede Ernesta (Venturela) Sperotto
(*08-04-1930, +25-05-2022) casada com Luiz Alceu Casara (*08-09-1934).
Quinta Geração: Ivone Maria (Venturela) (Sperotto) Rasera Souto
(29-11-1945). Em 18 de janeiro de 1975, casou-se com Antônio Salvi Souto, de
origem portuguesa.
Sexta Geração: Cristine (Venturela) (Sperotto)(Rasera) Souto

Ano de 1920. Família Sperotto. Na
parte de baixo: Luigi Sperotto e Adélia Venturela Sperotto. Na parte
superior, da direita para a esquerda, os três primeiros filhos: Unildo Giovanni
Sperotto, Zuma Sperotto e Olfides Sperotto
Genealogia da família Rasera
Primeira Geração: Guerino Rasera, proveniente da
Itália, casado com Rosa Colonhese, também originária da Itália. Tiveram os
filhos: 1) Adelina Rasera Cordazzo; 2) Maria Rasera Facchim; 3) Stefenon
Rasera; 4) Albina Rasera Osmarim; 5) Lúcia Rasera Gnoatto; 6) Josefina Rasera;
7) João Rasera (*28-08-1904, +30-08-1969); 8) Adicreto Rasera (*02-02-1912,
+13-05-1965); 9) Flaminio Rasera; 10) Albino Rasera; 11) José Rasera
(*20-02-1920, +18-02-1989).
Segunda Geração: José Rasera (*20-02-1920, + 18-02-1989)
casado com Ayde Sevilia Sperotto (*06-04-1923, +
12-02-2014). Tiveram os filhos: 1) Ivone Maria Rasera Souto,
(*29-11-1945), casada com Antônio Salvi Souto;
2) Ivan Luiz Rasera, (*03-02-1954) casado com Vânia Elisabete Poleto, residem
em São Leopoldo- RS; 3) Ivani Cristina Rasera, (* 19-03-1957) reside em Torres-
RS); 4) Ivana Mara Rasera, (* 12-01-1965) reside em Porto Alegre- RS).
Terceira geração: Ivone Maria Rasera Souto,
(* 29-11-1945, de nacionalidade italiana, casada com Antônio Salvi
Souto, de nacionalidade portuguesa. O casamento ocorreu em Bento
Gonçalves - RS, no dia 18 de janeiro de 1975.
Quarta geração: Cristine Souto

Ano de 1925. Família Rasera, em Bento
Gonçalves -RS.
A trajetória da família
Sperotto, Venturela e Rasera
Luige Sperotto e Adélia Venturela Sperotto, estabeleceram sua primeira residência no Bairro Centro, em Bento Gonçalves, no lote que lhes foi atribuído pelo governo brasileiro ao chegarem da Itália. "A casa para onde minha avó se mudou ao chegar em Bento Gonçalves estava em frente à pracinha onde havia uma cruzinha. A bisavó Ernesta estava em casa quando ocorreu o incêndio, e ela estava paralisada, mas conseguiram resgatá-la. Da janela da casa que pegou fogo, observavam os tropeiros que passavam, acendendo velas e fazendo orações diante de uma cruz, para que pudessem continuar a viagem em segurança, já que era o caminho entre as cidades. É relevante destacar que Cruzinha foi o nome original da cidade de Bento Gonçalves antes de ser chamada de Colônia Dona Isabel- RS.
A segunda residência do nonno Luige Sperotto e família foi no Bairro Cidade Alta, perto da Praça das Rosas, local onde hoje se encontra a Casinhola. Na Rua Benjamin Constant, perto do colégio Bento Gonçalves, onde os avós Luige Sperotto e Adélia Venturela se encontraram na juventude e, mais tarde, se casaram. Luige construiu a casa próxima ao local onde se conheceram. “A mãe, Ayde, nasceu nesta casa bonita”, conta Ivone. Os filhos dos nonnos Luige e Adélia estão sempre bem-vestidos, com boa aparência, no estilo de uma família nobre.
A mãe da nonna Adélia, Ernesta, trouxe diversas coisas bonitas
da Itália, como móveis antigos e vários objetos, incluindo vasos de louça
pintada, um quadro de duas meninas com servos e fotos da Itália e dos
antepassados. No entanto, tudo isso se estragou. A família perdeu as
recordações. A sobrinha construiu um apartamento, removeu da casa todos os
itens provenientes da Itália e armazenou tudo na garagem do casarão.
A terceira residência dos nonnos foi na
Linha Leopoldina, nas proximidades do acesso à cidade. Viviam em uma casa de
cor verde. Durante o período colonial,
eles se dedicaram à agricultura. Viviam em uma região de difícil acesso à água.
Desciam e subiam a ladeira. Com o passar do tempo, no pedaço de terra, o que
produziam iam até Montenegro vender, colocavam os produtos em uma mula.
Ivone
recorda que costumavam lavar as roupas em um riacho. "Durante as
refeições, os parentes se reuniam em torno da mesa."
Naquele período em que se mudaram temporariamente para a colônia devido às dificuldades na cidade, foi bastante difícil, pois minha mãe nos mandou comer repolho cru das hortas, já que não havia outro alimento. De vez em quando, abatiam um porco e conservavam os alimentos na banha para evitar que estragassem, já que não havia geladeira na época.
Na
quarta residência, voltaram ao Bairro Cidade Alta, perto do
mercado de frutas. "Assim, os colonos que chegavam à cidade trocavam seus
sapatos na casa da avó, pois a estrada era de terra." Lembra com afeto que
costumavam deixar os sapatos embaixo da escada da casa. Havia um porão e duas
escadas nessa casa. Uma à frente e outra atrás. Em 1945, Ayde Sperotto e José
Rasera moraram na residência de Luige Sperotto e Adélia. A filha Ivone nasceu
em 1945.

Ano de 1948, Ivone Maria Rasera Souto,
com quatro anos, e Ayde Sevilia Sperotto Rasera, sentadas no jardim da
residência.
A quinta
residência: em 1946, o pai José, servidor do DAER (Departamento Autônomo
de Estradas e Rodagem), ergueu uma casa no terreno da instituição. Vários
funcionários construíram suas casas em um terreno próximo do DAER, e muitos
deles residiam nas proximidades.
Com o passar do tempo, a casa foi vendida e transportada na
íntegra para o comprador, uma vez que o terreno deu lugar à Praça Centenário.
Na
sétima residência: em 18 de janeiro de 1975, Ivone Maria Rasera
Souto se casou com Antônio Salvi Souto no bairro Centro de Bento Gonçalves, RS
É relevante mencionar que José Rasera iniciou
sua carreira no DAER aos dezessete anos. Iniciou o trabalho varrendo o chão,
aprendeu por conta própria a manusear os motores de caminhão, fez um curso em
São Paulo e, finalmente, tornou-se instrutor dos funcionários do DAER.
É importante lembrar que José Rasera, solteiro, residia com seus
pais, Guerino Rasera e Rosa Colonhese, na Linha Palmeiro. A casa de pedra onde
a família morava ainda permanece intacta.
Sexta residência: em 1957, com doze anos, Ivone viu seu pai,
José Rasera, construir uma nova residência na rua que separa o Bairro Cidade
Alta de Bento Gonçalves, RS. Casa em que Ivone guarda boas recordações,
especialmente do belo jardim.
O
pai de José Rasera também era fotógrafo, responsável pelas fotos e pela
revelação em um quartinho escuro. Fazia um pouco de cada coisa.
Além de trabalhar no DAER e de ser fotógrafo, também foi barbeiro. Ocasionalmente, ia à colônia para cortar o cabelo dos irmãos. Recordo-me da máquina velha que ele utilizava para cortar cabelo. Ontem, no museu de Dois Irmãos, vi uma semelhante. Ele foi jardineiro, e eu amava o jardim da minha casa, além da grutinha que meu pai também fez.
A Educação: uma família que valoriza o estudo
A
mãe, Ayde Sevilina Sperotto Rasera, realizava as tarefas domésticas e cuidava
das crianças. Frequentou a Escola Elementar até a terceira série quando era
menina. E a tia, quando residia na Linha Leopoldina, percorria vários
quilômetros para estudar no Grupo Escolar Bento Gonçalves-RS.
Ivone também aprecia estudar. Estudou na Escola Normal Nossa Senhora Medianeira e formou-se como professora. Ensinou em diversas instituições de ensino. Iniciou sua carreira na Escola Rural Passo Velho e se aposentou na Escola Landell de Moura, localizada em Bento Gonçalves. Sempre estudou durante o mês de janeiro. Todas as professoras eram do meu agrado. Havia aulas de culinária, artesanato, folclore e outras disciplinas. Andava 3 km até a escola e mais 3 km para subir até o km 2, onde esperava o ônibus às 14h para viajar para Bento Gonçalves-RS.
O Lazer: a festa de Carnaval
É relevante destacar que Luige Sperotto ocupou o cargo de Presidente do Clube Aliança. Ele era muito fã de Carnaval. Naquele período, as fantasias eram feitas de papel crepom. Ivone conta com muito orgulho.
A Gastronomia: “A nonna Adélia tinha um talento para cozinhar”
A nonna Adélia trabalhou como cozinheira no antigo Hotel
Possamai, localizado na Cidade Alta de Bento Gonçalves. Ela tinha prazer em
cozinhar. O dono do restaurante oferecia aos funcionários o que restava das
refeições. E Adélia trazia para casa. "A nonna tinha um talento
incrível para cozinhar. Ela reservava para mim almôndegas grandes e bem
temperadas. Foi um episódio significativo da sua infância.
Os Enxovais: costume passado de geração em geração entre as
mulheres
Ayde e suas irmãs confeccionavam seu próprio enxoval, que incluía lençóis, toalhas e roupas íntimas. Sacos brancos de farinha eram usados para confeccionar os vestidos. Não produziam em grande quantidade; era para uso próprio. Ivone aprendeu a bordar e fazer crochê somente para uso pessoal. Ela também faz crochê. Costume que foi passado de geração em geração.
“Precisamos de muita fé”
A família sempre seguiu a fé católica. Fé trazida da Itália por
seus descendentes, fiéis a Nossa Senhora da Graça. No Brasil, a veneração é
dirigida a Santo Antônio, padroeiro da cidade de Bento Gonçalves. Visitantes da
Paróquia Santo Antônio, primeira igreja da antiga Colônia Dona Isabel, situada
perto da primeira casa da família Sperotto ao se mudarem para a cidade.
Meus
antepassados me ensinaram a rezar tanto em casa quanto na igreja, além de
cultivar a devoção a Deus. Também era preciso memorizar o catecismo para
receber a primeira comunhão. Minha avó era integrante do grupo As Filhas de
Santana, e, ao falecer, colocaram uma fita com a medalha católica sobre ela.
Muita! É necessário ter muita fé para tudo na vida! Ivone mantém os véus que usavam como lembrança. Mulheres casadas usavam véu preto, ao passo que solteiras usavam véu branco.
Cultura italiana: Festa da Estrieta
Os
italianos costumavam celebrar o Dia da Estrieta (uma espécie de bruxinha) no
dia 6 de janeiro de cada ano.
Estrieta é uma espécie de bruxa que chegava montada em um
burrinho e entrava pela chaminé. Ayde limpava o local onde havia brasas para
que eles pudessem passar. Vinha com seu burrinho, deixava as meias em cima do
fogão e as pendurava. A estrita colocava docinhos, pacotinhos cinzas, feijão,
milho e outros tipos de docinhos. As crianças ficavam ansiosas para descobrir o
que a Estrieta havia deixado nas meias pela manhã. Minha mãe tinha a tarefa de
sair de casa e, ao levar o burrinho da Estrieta, colocava um potinho de água
para ele beber. Ficamos encantados com a história! Era uma tradição dos
italianos que já não existe mais.

Ano de 1982. Ivone Maria Rasera Souto e sua filha Cristine Souto, bem como o esposo Antonio Souto e sua filha Cristine Souto
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