Jornal Ponto Inicial

Imigração Italiana | Famílias Sperotto, Venturela e Rasera

Da Itália até a antiga Colônia Dona Isabel, atual Bento Gonçalves- RS

Laudir Dutra - Redação Publicado em 22 de fevereiro de 2026 às 22:08
Fonte: Elisete Luiza Masera Filósofa, Publicitária Foto: Divulgação
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No conceituado Jornal Ponto Inicial, foi veiculado no dia 30 de novembro de 2022 um artigo intitulado “Imigração Italiana: A trajetória da família Sperotto, Venturela e Rasera, em Bento Gonçalves RS.”


No Dia Nacional do Imigrante Italiano, 21 de fevereiro, homenageamos a bela e emocionante jornada dos imigrantes italianos no Brasil, incluindo a família de Ivone Maria (Venturela) (Sperotto) Rasera Souto, durante a viagem de seus antepassados em um navio a vapor da Itália para o Brasil.


Essa história descreve a trajetória dos imigrantes italianos que vieram ao Brasil em busca de uma vida melhor, longe da guerra e da pobreza.

O objetivo é recuperar a história vivida pelos imigrantes italianos das famílias Sperotto, Venturela e Rasera. As famílias se estabeleceram na Serra Gaúcha, na antiga colônia Dona Isabel, hoje conhecida como Bento Gonçalves-RS

Uma entrevista envolvente com Ivone Maria Rasera Souto, descendente de imigrantes italianos residentes na Serra Gaúcha, tratará de temas sociais, culturais, econômicos, religiosos, afetivos, educacionais e gastronômicos.

Um agradecimento especial a Ivone Maria Rasera Souto por sua dedicação e generosidade na elaboração da história e do percurso de vida de seus descendentes. Ivone guarda recortes de jornal a respeito da imigração, bem como álbuns repletos de fotografias e cartas.

A família italiana Sperotto desembarca no Brasil pelo porto do Rio de Janeiro em 17 de janeiro de 1885. Originários da comuna italiana da região do Vêneto, província de Vicenza, estabeleceram-se na serra gaúcha, antiga colônia Dona Isabel, atual Bento Gonçalves, RS.

A família de Giovanni Batistta Sperotto (*19-11-1852), filho de Sebastiano Sperotto e Anna Balzan, casado com Maria Antonia Batistella em 07-01-1874, na Itália, chegou ao Brasil com os filhos: Luige (*07-04-1884), Antonio (*22-03-1882), Giovanni (*21-05-1878) e Sebastiano (*16-04-1874). Eles se instalaram no lote 36 da Linha José Júlio, IV Seção, em Bento Gonçalves - RS, no ano de 1895.

Os pioneiros Giovanni Venturela e Ernesta Zandonato Venturela chegaram ao Brasil em 1889, quatro anos após a família Sperotto. Fixando-se na histórica Colônia Dona Isabel, em Bento Gonçalves-RS.

A família dos imigrantes italianos Guerino Rasera, casado com Rosa Colonhese, também vinda da Itália, desembarcou no Brasil por volta de 1889. Estabeleceram-se na Colônia Palmeiro, em Bento Gonçalves- RS. Tiveram os filhos: 1) Adelina Rasera Cordazzo,2) Maria Rasera Facchim, 3) Sabina Rasera Stefenon, 4) Albina Rasera Osmarim, 5) Lucia Rasera Gnoatto, 5) Josefina Rasera; João (* 28-08-1904, +3008-1969), Adicreto Rasera (* 02-02-1912, +13-05-1965), Flaminio Rasera, Albino Rasera e José Rasera (*20-02-1920, +18-02-1989).

 

A neta Ivone Maria Rasera Souto apurou que a razão pela qual essas famílias migraram para o Brasil foi narrada pela avó Adélia (Venturela) Sperotto: “a vida na Itália, antes de embarcarmos para o Brasil, foi difícil, sentíamos muito frio e a neve era intensa.” Assim, eles ganhavam um trocado limpando as correntes cobertas de neve e, à noite, para se aquecer, dormiam com as vacas na estrebaria, enfrentando grandes dificuldades. Eles não tinham muito dinheiro, então, quando surgiu a oportunidade de ganhar bilhetes dizendo: “vamos conhecer o Brasil, um belo país”, ficaram muito animados.

A avó Adélia falava sobre sua amiga Cornélia, com quem viajou no mesmo navio a vapor. A viagem era muito longa, e muitas pessoas morriam durante o percurso, sendo os corpos lançados ao mar. Fizeram uma parada em um local específico, e depois seguiram adiante para comprar um brinquedinho para ela.

 

Adélia Venturela embarcou no Vapor da Itália rumo ao Brasil um dia depois do previsto por seu pai, que já se encontrava no país.  Aquele Vapor afundou, e ele entrou em desespero, pensando que sua filha pudesse ter morrido. Porém, a nonna Adélia desembarcou no Brasil com a família no dia seguinte.

 Em uma manhã, conta a avó Adélia, sua mãe Ernesta os chamou para se levantar da cama e gritaram: "Su Délia, demo a lá Mérica." Demo", ela queria dizer "vamos".  Ao chegarem ao destino, todos estavam chorando de felicidade.

No Brasil, durante o mês de janeiro, permaneceram hospedados em Bento Gonçalves- RS, na região de Barracão, na Linha Palmeiro, e outras famílias de imigrantes italianos foram acolhidas na Cidade Alta, na igreja Cristo Rei, até que o governo lhes concedesse as linhas e lotes correspondentes a cada imigrante.

Ivone conta que adorava quando a nonna Adélia Venturela Sperotto dormia em seu quarto quando era criança, porque ela sempre contava histórias de sua vida na Itália e no Brasil.

 

É importante destacar que a família do imigrante italiano Giovanni Batistta Sperotto se instalou em Bento Gonçalves -RS. Uma das adversidades enfrentadas por seus antepassados foi a precariedade, com abundância de mato, animais ferozes rondando à noite e escassez de água.

Contudo, depois de se estabelecerem na antiga colônia Dona Isabel e receberem escassa assistência do governo brasileiro, os imigrantes italianos relataram que foram iludidos pelos panfletos na Itália, pois acreditavam que encontrariam um paraíso no Brasil.

A contribuição do governo brasileiro foi mínima, fornecendo apenas algumas ferramentas, como enxadas e pás. Devido a esses desafios, nenhum dos descendentes dos imigrantes italianos continuou a profissão dos antepassados.

A família Sperotto, de comerciantes, contribuiu para o progresso de Bento Gonçalves, RS, deixando sua história documentada. Muitos ascendentes das famílias ainda residem em Bento Gonçalves - RS. Alguns se deslocaram para os municípios de Caxias do Sul, Porto Alegre, Torres e São Leopoldo, no Rio Grande do Sul.

 

Genealogia da família Sperotto

 

Primeira Geração: Sebastiano Sperotto e Anna Balzan, originários da Itália

 

Segunda Geração: Giovanni Battista Sperotto, (*19-11-1852, na Itália). É casado com Maria Antonia Batistella. O casamento ocorreu na Itália no dia 07-01-1874.  Tiveram os filhos: Sebastiano Sperotto, (*16-04-1874 na Itália); Giovanni Sperotto, (*21-05-1878 na Italia; Luige Sperotto, (*07-04-1884 na Itália; e Antonio Sperotto, (22-03-1882 na Itália).

 

Terceira Geração: Luige Battista Sperotto (* 07-04-1884). Em 1912, casou-se com Adélia (Zandonato) Venturela. Adélia é descendente de Giovanni Venturela (* 1885) e Ernesta Zandonato (* 1888).

 

Quarta geração: Ayde Sevilina (Venturela) Sperotto casou-se com José Rasera em janeiro de 1945; Unildo Giovanni (Venturela) Sperotto (*11-07-1913, +16-03-1996) casado com Maria Barlesi (*29-09-1916, + 28-11-1977); Olfides (Venturela) Sperotto casado com Lídia Minela; Zuma (Venturela) Sperotto casada com Ângelo Lourenço Tesser; Enio (Venturela) Sperotto casado com Sirlei Sperotto; Iede Ernesta (Venturela) Sperotto (*08-04-1930, +25-05-2022) casada com Luiz Alceu Casara (*08-09-1934).

Quinta Geração: Ivone Maria (Venturela) (Sperotto) Rasera Souto (29-11-1945). Em 18 de janeiro de 1975, casou-se com Antônio Salvi Souto, de origem portuguesa.

 

Sexta Geração: Cristine (Venturela) (Sperotto)(Rasera) Souto

 

 

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Ano de 1920. Família Sperotto. Na parte de baixo: Luigi Sperotto e Adélia Venturela Sperotto.  Na parte superior, da direita para a esquerda, os três primeiros filhos: Unildo Giovanni Sperotto, Zuma Sperotto e Olfides Sperotto

 

Genealogia da família Rasera

 

Primeira Geração: Guerino Rasera, proveniente da Itália, casado com Rosa Colonhese, também originária da Itália. Tiveram os filhos: 1) Adelina Rasera Cordazzo; 2) Maria Rasera Facchim; 3) Stefenon Rasera; 4) Albina Rasera Osmarim; 5) Lúcia Rasera Gnoatto; 6) Josefina Rasera; 7) João Rasera (*28-08-1904, +30-08-1969); 8) Adicreto Rasera (*02-02-1912, +13-05-1965); 9) Flaminio Rasera; 10) Albino Rasera; 11) José Rasera (*20-02-1920, +18-02-1989).

 

Segunda Geração: José Rasera (*20-02-1920, + 18-02-1989) casado com Ayde Sevilia Sperotto (*06-04-1923, + 12-02-2014). Tiveram os filhos: 1) Ivone Maria Rasera Souto, (*29-11-1945), casada com Antônio Salvi Souto; 2) Ivan Luiz Rasera, (*03-02-1954) casado com Vânia Elisabete Poleto, residem em São Leopoldo- RS; 3) Ivani Cristina Rasera, (* 19-03-1957) reside em Torres- RS); 4) Ivana Mara Rasera, (* 12-01-1965) reside em Porto Alegre- RS).

 

Terceira geração: Ivone Maria Rasera Souto, (* 29-11-1945, de nacionalidade italiana, casada com Antônio Salvi Souto, de nacionalidade portuguesa. O casamento ocorreu em Bento Gonçalves - RS, no dia 18 de janeiro de 1975.

 

Quarta geração: Cristine Souto

 

Imigração Italiana | Famílias Sperotto, Venturela e Rasera

 

Ano de 1925. Família Rasera, em Bento Gonçalves -RS.

 

A trajetória da família Sperotto, Venturela e Rasera

 

Luige Sperotto e Adélia Venturela Sperotto, estabeleceram sua primeira residência no Bairro Centro, em Bento Gonçalves, no lote que lhes foi atribuído pelo governo brasileiro ao chegarem da Itália. "A casa para onde minha avó se mudou ao chegar em Bento Gonçalves estava em frente à pracinha onde havia uma cruzinha. A bisavó Ernesta estava em casa quando ocorreu o incêndio, e ela estava paralisada, mas conseguiram resgatá-la. Da janela da casa que pegou fogo, observavam os tropeiros que passavam, acendendo velas e fazendo orações diante de uma cruz, para que pudessem continuar a viagem em segurança, já que era o caminho entre as cidades. É relevante destacar que Cruzinha foi o nome original da cidade de Bento Gonçalves antes de ser chamada de Colônia Dona Isabel- RS.

A segunda residência do nonno Luige Sperotto e família foi no Bairro Cidade Alta, perto da Praça das Rosas, local onde hoje se encontra a Casinhola.  Na Rua Benjamin Constant, perto do colégio Bento Gonçalves, onde os avós Luige Sperotto e Adélia Venturela se encontraram na juventude e, mais tarde, se casaram. Luige construiu a casa próxima ao local onde se conheceram. “A mãe, Ayde, nasceu nesta casa bonita”, conta Ivone. Os filhos dos nonnos Luige e Adélia estão sempre bem-vestidos, com boa aparência, no estilo de uma família nobre.

A mãe da nonna Adélia, Ernesta, trouxe diversas coisas bonitas da Itália, como móveis antigos e vários objetos, incluindo vasos de louça pintada, um quadro de duas meninas com servos e fotos da Itália e dos antepassados. No entanto, tudo isso se estragou. A família perdeu as recordações. A sobrinha construiu um apartamento, removeu da casa todos os itens provenientes da Itália e armazenou tudo na garagem do casarão.

 

 A terceira residência dos nonnos foi na Linha Leopoldina, nas proximidades do acesso à cidade. Viviam em uma casa de cor verde.  Durante o período colonial, eles se dedicaram à agricultura. Viviam em uma região de difícil acesso à água. Desciam e subiam a ladeira. Com o passar do tempo, no pedaço de terra, o que produziam iam até Montenegro vender, colocavam os produtos em uma mula.

Ivone recorda que costumavam lavar as roupas em um riacho. "Durante as refeições, os parentes se reuniam em torno da mesa."

Naquele período em que se mudaram temporariamente para a colônia devido às dificuldades na cidade, foi bastante difícil, pois minha mãe nos mandou comer repolho cru das hortas, já que não havia outro alimento. De vez em quando, abatiam um porco e conservavam os alimentos na banha para evitar que estragassem, já que não havia geladeira na época.


Na quarta residência, voltaram ao Bairro Cidade Alta, perto do mercado de frutas. "Assim, os colonos que chegavam à cidade trocavam seus sapatos na casa da avó, pois a estrada era de terra." Lembra com afeto que costumavam deixar os sapatos embaixo da escada da casa. Havia um porão e duas escadas nessa casa. Uma à frente e outra atrás. Em 1945, Ayde Sperotto e José Rasera moraram na residência de Luige Sperotto e Adélia. A filha Ivone nasceu em 1945.


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Ano de 1948, Ivone Maria Rasera Souto, com quatro anos, e Ayde Sevilia Sperotto Rasera, sentadas no jardim da residência.

 

A quinta residência: em 1946, o pai José, servidor do DAER (Departamento Autônomo de Estradas e Rodagem), ergueu uma casa no terreno da instituição. Vários funcionários construíram suas casas em um terreno próximo do DAER, e muitos deles residiam nas proximidades.

Com o passar do tempo, a casa foi vendida e transportada na íntegra para o comprador, uma vez que o terreno deu lugar à Praça Centenário.


Na sétima residência: em 18 de janeiro de 1975, Ivone Maria Rasera Souto se casou com Antônio Salvi Souto no bairro Centro de Bento Gonçalves, RS

 É relevante mencionar que José Rasera iniciou sua carreira no DAER aos dezessete anos. Iniciou o trabalho varrendo o chão, aprendeu por conta própria a manusear os motores de caminhão, fez um curso em São Paulo e, finalmente, tornou-se instrutor dos funcionários do DAER.  

 

É importante lembrar que José Rasera, solteiro, residia com seus pais, Guerino Rasera e Rosa Colonhese, na Linha Palmeiro. A casa de pedra onde a família morava ainda permanece intacta.

 

Sexta residência: em 1957, com doze anos, Ivone viu seu pai, José Rasera, construir uma nova residência na rua que separa o Bairro Cidade Alta de Bento Gonçalves, RS. Casa em que Ivone guarda boas recordações, especialmente do belo jardim. 


O pai de José Rasera também era fotógrafo, responsável pelas fotos e pela revelação em um quartinho escuro. Fazia um pouco de cada coisa.

Além de trabalhar no DAER e de ser fotógrafo, também foi barbeiro. Ocasionalmente, ia à colônia para cortar o cabelo dos irmãos. Recordo-me da máquina velha que ele utilizava para cortar cabelo. Ontem, no museu de Dois Irmãos, vi uma semelhante.  Ele foi jardineiro, e eu amava o jardim da minha casa, além da grutinha que meu pai também fez. 

 

 A Educação: uma família que valoriza o estudo


A mãe, Ayde Sevilina Sperotto Rasera, realizava as tarefas domésticas e cuidava das crianças. Frequentou a Escola Elementar até a terceira série quando era menina. E a tia, quando residia na Linha Leopoldina, percorria vários quilômetros para estudar no Grupo Escolar Bento Gonçalves-RS.

Ivone também aprecia estudar. Estudou na Escola Normal Nossa Senhora Medianeira e formou-se como professora. Ensinou em diversas instituições de ensino. Iniciou sua carreira na Escola Rural Passo Velho e se aposentou na Escola Landell de Moura, localizada em Bento Gonçalves. Sempre estudou durante o mês de janeiro. Todas as professoras eram do meu agrado. Havia aulas de culinária, artesanato, folclore e outras disciplinas. Andava 3 km até a escola e mais 3 km para subir até o km 2, onde esperava o ônibus às 14h para viajar para Bento Gonçalves-RS.

O Lazer: a festa de Carnaval

É relevante destacar que Luige Sperotto ocupou o cargo de Presidente do Clube Aliança. Ele era muito fã de Carnaval. Naquele período, as fantasias eram feitas de papel crepom. Ivone conta com muito orgulho.

 

A Gastronomia: “A nonna Adélia tinha um talento para cozinhar”

 

A nonna Adélia trabalhou como cozinheira no antigo Hotel Possamai, localizado na Cidade Alta de Bento Gonçalves. Ela tinha prazer em cozinhar. O dono do restaurante oferecia aos funcionários o que restava das refeições. E Adélia trazia para casa. "A nonna tinha um talento incrível para cozinhar. Ela reservava para mim almôndegas grandes e bem temperadas. Foi um episódio significativo da sua infância.


Os Enxovais: costume passado de geração em geração entre as mulheres

Ayde e suas irmãs confeccionavam seu próprio enxoval, que incluía lençóis, toalhas e roupas íntimas. Sacos brancos de farinha eram usados para confeccionar os vestidos. Não produziam em grande quantidade; era para uso próprio. Ivone aprendeu a bordar e fazer crochê somente para uso pessoal. Ela também faz crochê. Costume que foi passado de geração em geração.

 

“Precisamos de muita fé” 


A família sempre seguiu a fé católica. Fé trazida da Itália por seus descendentes, fiéis a Nossa Senhora da Graça. No Brasil, a veneração é dirigida a Santo Antônio, padroeiro da cidade de Bento Gonçalves. Visitantes da Paróquia Santo Antônio, primeira igreja da antiga Colônia Dona Isabel, situada perto da primeira casa da família Sperotto ao se mudarem para a cidade.

Meus antepassados me ensinaram a rezar tanto em casa quanto na igreja, além de cultivar a devoção a Deus. Também era preciso memorizar o catecismo para receber a primeira comunhão. Minha avó era integrante do grupo As Filhas de Santana, e, ao falecer, colocaram uma fita com a medalha católica sobre ela.

Muita! É necessário ter muita fé para tudo na vida! Ivone mantém os véus que usavam como lembrança. Mulheres casadas usavam véu preto, ao passo que solteiras usavam véu branco. 

Cultura italiana: Festa da Estrieta


Os italianos costumavam celebrar o Dia da Estrieta (uma espécie de bruxinha) no dia 6 de janeiro de cada ano.

Estrieta é uma espécie de bruxa que chegava montada em um burrinho e entrava pela chaminé. Ayde limpava o local onde havia brasas para que eles pudessem passar. Vinha com seu burrinho, deixava as meias em cima do fogão e as pendurava. A estrita colocava docinhos, pacotinhos cinzas, feijão, milho e outros tipos de docinhos. As crianças ficavam ansiosas para descobrir o que a Estrieta havia deixado nas meias pela manhã. Minha mãe tinha a tarefa de sair de casa e, ao levar o burrinho da Estrieta, colocava um potinho de água para ele beber. Ficamos encantados com a história! Era uma tradição dos italianos que já não existe mais.

Imigração Italiana | Famílias Sperotto, Venturela e Rasera

Ano de 1982. Ivone Maria Rasera Souto e sua filha Cristine Souto, bem como o esposo Antonio Souto e sua filha Cristine Souto



Elisete Luiza Masera
Filósofa, Publicitária
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